Governos da República, Madeira e Açores criam grupo de trabalho para nova lei de finanças regionais em 2026
30 de out. de 2025, 13:39
— Lusa/AO Online
“Para que, no próximo ano possamos apresentar à
Assembleia da República, o resultado deste esforço de convergência
entre os Governos, para podermos ter uma lei que dê maior
previsibilidade, maior segurança, maior estabilidade, maior capacidade
política às Regiões Autónomas para os próximos anos”, afirmou.Luís
Montenegro fez uma declaração no final da reunião de Conselho de
Ministros, que hoje contou, de forma inédita, com a presença dos
presidentes das Regiões Autónomas dos Açores, José Manuel Bolieiro, e da
Madeira, Miguel Albuquerque, mas nenhum dos três respondeu a perguntas
da comunicação social.O primeiro-ministro
anunciou ainda que, no início de 2026, vai realizar-se nos Açores a
primeira cimeira entre os três governos – todos liderados pelo PSD -,
que chegou a estar prevista para o final de 2024, mas foi sendo adiada
devido a crises políticas primeiro na Madeira e depois no Continente. “Tentaremos
depois regularmente não só promover estes fóruns de articulação entre
os Governos, como a própria realização das cimeiras, que podem ser uma
oportunidade de podermos subscrever muitas das decisões conjuntas que
temos para servir o interesse das Regiões Autónomas, mas o interesse de
Portugal como um todo”, disse.Montenegro
classificou a participação dos presidentes dos Governos Regionais, pela
primeira vez, numa reunião do Conselho de ministros como “um importante
marco na relação institucional e na articulação e parceria” entre os
Governos da República e os Governos das Regiões Autónomas.No ano de 2026, salientou, vão cumprir-se os 50 anos da autonomia regional, “um património político de Portugal”.Montenegro
defendeu que, no Orçamento do Estado para 2026, o Governo já deu “um
sinal claro” da importância das Regiões Autónomas, com um aumento das
transferências financeiras do Orçamento do Estado para a Madeira e os
Açores.“No caso da Região Autónoma dos
Açores, foi de 150 milhões de euros para projetos PRR e também com a
possibilidade de autorizar e consolidar dívida no que diz respeito à
regularização de pagamentos em atrasos, no montante de até 75 milhões de
euros”, disse.Já para a Madeira este
instrumento de regularização de pagamento de pagamentos em atrasos
fixou-se, até ao momento, em 50 milhões de euros, Região que teve
consagrada no Orçamento uma transferência extraordinária de 79,9 milhões
de euros.“A obrigação do Governo da
República é tratar todos os portugueses por igual, estejam eles onde
estiverem, tenham eles as circunstâncias pessoais e económicas que
tiverem. E isso requer da Administração Central, em muitas ocasiões, um
tratamento diferenciado para a realidade insular”, afirmou, apontando
matérias como a saúde, educação, habitação ou mobilidade que justificam
esse tratamento.A cimeira entre os
governos da República, dos Açores e da Madeira chegou a estar agendada
para 12 e 13 de novembro de 2024 na ilha açoriana de São Miguel, mas foi
adiada para “data oportuna para os três governos” devido à moção de
censura apresentada pelo Chega ao executivo madeirense nessa ocasião.
Poucos meses depois, o Governo de Luís Montenegro apresentou a demissão
na sequência do chumbo de uma moção de confiança, voltando a vencer as
legislativas antecipadas que se seguiram.