Governos da Madeira e Açores congratulam-se com preparação da revisão da Lei das Finanças Regionais
30 de out. de 2025, 15:48
— Lusa/AO Online
“Acho que é um passo decisivo no sentido de
estabelecer ao fim de 50 anos da instituição das autonomias políticas -
uma das maiores conquistas da democracia portuguesa - (…) uma relação
consolidada e adulta relativamente ao relacionamento que deve existir
entre as autonomias e o Estado Central”, afirmou o presidente da Região
Autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque (PSD).A
declaração do governante madeirense foi feita após uma reunião do
Conselho de Ministros, onde participou conjuntamente com o homólogo dos
Açores, José Manuel Bolieiro, na sequência da aprovação de projetos de
resolução referentes aos dois arquipélagos e decidida a criação de um
grupo de trabalho conjunto para levar ao parlamento uma nova LFR em 2026“Neste
momento, a Lei de Finanças Regionais é uma lei iníqua, é uma lei
anacrónica que tem de ser rapidamente alterada. Nesse sentido, queria
saudar a visão do primeiro-ministro, a sua capacidade de decisão, no
sentido de criarmos um grupo de trabalho para pôr cobro a uma situação
que é desconfortável”, sublinhou Miguel Albuquerque.Segundo
o presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, estas alterações
permitem refletir “os custos da insularidade, dos transportes, da
educação, da saúde e de outras áreas como a proteção civil”.“Nós,
presidentes dos governos, não podemos continuar a fazer aqui o papel de
mendicantes, numa via-sacra a reclamar dinheiro”, apontou.No
mesmo sentido, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel
Bolieiro, considerou que a criação deste grupo de trabalho representa
“uma viragem de paradigma” no “funcionamento do Estado com as
autonomias”.“Estamos a viver um momento
histórico na democracia portuguesa e no entendimento do Estado de
Direito português com as suas autonomias políticas, porque faz a
transição de uma, muitas vezes, entendida autonomia tutelada para a
compreensão de uma autonomia participativa”, disse o governante
açoriano.Segundo José Manuel Bolieiro, a
alteração da Lei das Finanças Regionais vai garantir às regiões
autónomas “mais previsibilidade, estabilidade, regularidade e
eficiência”.Bolieiro manifestou ainda
“plena satisfação por ter participado neste momento histórico”,
sublinhando que o primeiro-ministro “valoriza as autonomias políticas de
um país descentralizado pela sua vocação participativa”.A
criação do grupo de trabalho, que integrará representantes dos Governos
da República, da Madeira e dos Açores, foi aprovada hoje em Conselho de
Ministros.O primeiro-ministro anunciou
ainda que, no início de 2026, vai realizar-se nos Açores a primeira
cimeira entre os três governos – todos liderados pelo PSD -, que chegou a
estar prevista para o final de 2024, mas foi sendo adiada devido a
crises políticas, primeiro na Madeira e depois no continente.“Tentaremos
depois regularmente, não só promover estes fóruns de articulação entre
os Governos, como a própria realização das cimeiras, que podem ser uma
oportunidade de podermos subscrever muitas das decisões conjuntas” para
servir o interesse das Regiões Autónomas e de Portugal “como um todo”,
disse.Montenegro classificou a
participação dos presidentes dos Governos Regionais, pela primeira vez,
numa reunião do Conselho de Ministros como “um importante marco na
relação institucional e na articulação e parceria” entre os Governos da
República e os Governos das Regiões Autónomas.