Governos da Macaronésia querem reforçar o seu papel geoestratégico
8 de nov. de 2024, 14:28
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa, após a III Cimeira da Macaronésia, realizada na
ilha canária de Lanzarote, os presidentes das Canárias, Fernando
Clavijo, e da Madeira, Miguel Albuquerque, o vice-presidente Governo dos Açores,
Artur Lima, e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo
Verde, Alberto Rui de Figueiredo, afirmaram ter retirado desta reunião
"um roteiro claro" para os próximos anos.Assim,
segundo Clavijo, há um foco no "reforçar o papel geoestratégico destes
arquipélagos e afirmar a importância que podem ter, tanto para a União
Europeia como para os continentes africano e americano".Nesta
reunião, que se realiza seis anos após a anterior cimeira, foram também
analisados os fundos comunitários destinados à Macaronésia
(Interreg-MAC), que consideram "ter gerado um desenvolvimento
significativo" para os quatro territórios, bem como o papel do setor do
turismo, chegando à conclusão de que não podem limitar o seu próprio
desenvolvimento apenas ao turismo.As
Canárias, a Madeira e os Açores, enquanto regiões pertencentes a
Estados-membros da União Europeia (UE), manifestaram também a sua
preocupação com as taxas impostas por Bruxelas aos transportes aéreos e
marítimos devido às emissões de dióxido de carbono (CO2) para a
atmosfera, uma vez que "põem em causa a mobilidade e o direito de
circular em igualdade de circunstâncias com os restantes cidadãos
continentais"."Não somos os causadores
deste aquecimento global, mas sim as vítimas, e é importante que a UE
tenha este facto em conta", exigiu Clavijo.O
roteiro inclui também questões relacionadas com as novas tecnologias e a
indústria, com a ideia de promover uma melhor interligação entre os
quatro arquipélagos.A imigração também foi objeto de debate, por proposta do Governo das Canárias.A
este respeito, Clavijo indicou que o objetivo dos programas que serão
financiados pelos fundos Interreg-Mac é "conseguir a cooperação e o
desenvolvimento no meio ambiente" dos países africanos de origem."O
problema da imigração, neste caso, é que as pessoas não têm esperança
nem futuro, e se formos uma plataforma para gerar desenvolvimento e
bem-estar nesta parte de África, os fluxos serão atenuados", concluiu.A III Cimeira da Macaronésia foi antecedida por uma reunião de alto nível realizada na ilha do Sal, Cabo Verde, em setembro.Na
altura, o Governo cabo-verdiano propôs a criação de "um agrupamento
europeu de coesão territorial da Macaronésia", para "potenciar a
parceria especial com a União Europeia (UE)", na sequência da avaliação
positiva do programa de cooperação europeu Interreg-MAC.Além
de Cabo Verde e das regiões autónomas portuguesas e espanhola, o
programa envolve Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Mauritânia, Senegal e
São Tomé e Príncipe. Ao mesmo tempo, foi
anunciado o projeto "Macaronésia do Conhecimento", uma iniciativa da
sociedade civil que será apresentada à margem da cimeira.