Governo vende ao BPCE posição do Ministério das Finanças no Novo Banco
13 de jun. de 2025, 12:54
— Lusa/AO Online
“O Governo
português vai acompanhar a venda da Lone Star, alienando a posição que o
Ministério das Finanças controla diretamente”, refere a tutela, em
comunicado.Segundo salienta, “esta venda,
associada à distribuição de dividendos do Novobanco que ocorreu este
ano, permite ao Estado recuperar quase 2.000 milhões de euros dos fundos
públicos injetados na instituição”.O
Ministério das Finanças controla diretamente 11,46% do capital do Novo
Banco, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, estando os
restantes 13,54% nas mãos do Fundo de Resolução.Num
comunicado divulgado hoje, o Fundo de Resolução anunciou já que a venda
da sua participação de 13,54% lhe permitirá um encaixe bruto de cerca
de 866 milhões de euros.Este valor,
referiu o Fundo, acresce às verbas já recebidas do Novo Banco a título
de distribuição de dividendos relativos aos resultados de 2024 (valor
bruto: 30 milhões de euros) e no âmbito da redução de capital realizada
já em 2025 (149 milhões de euros)”.Quanto à posição no Novo Banco detida pela Direção-Geral do Tesouro, deverá render cerca de 733 milhões de euros.Para
o Ministério das Finanças, a venda do Novo Banco ao grupo bancário
francês BPCE (Banque Populaire Caisse d'Epargne), hoje anunciada,
“representa para Portugal um sinal muito importante de confiança dos
investidores internacionais no país e na economia nacional”.“O
BPCE é um banco de elevada credibilidade, solidez e performance. A
proposta do BPCE permitirá a criação de valor e o apoio à economia
nacional e às empresas portuguesas”, considera, destacando tratar-se do
“segundo maior banco francês, um dos maiores bancos europeus e um banco
de estrutura cooperativa”.O ministério
liderado por Joaquim Miranda Sarmento enfatiza que esta operação
“conclui um longo processo, iniciado com a resolução do BES e a
posterior alienação, em 2017, do Novobanco à Lone Star, contribuindo
para salvaguardar a estabilidade do sistema financeiro português”.“Adicionalmente,
esta operação garante uma maior diversificação dos investidores e
acionistas dos bancos que operam em Portugal, evitando assim uma
desnecessária concentração geográfica, como o Governo advertiu e se
mostrou contra”, refere.Finalmente, o
executivo sustenta que o negócio “também garante a manutenção da atual
estrutura do mercado bancário nacional, sem que ocorram problemas
resultantes de um eventual processo de concentração, nomeadamente de uma
reestruturação, e salvaguarda os níveis de concorrência no sistema
bancário português”.O acordo anunciado
hoje para a venda ao grupo BPCE da participação de 75% que os fundos
Lone Star detêm no Novo Banco prevê que o negócio seja realizado por um
valor estimado de 6.400 milhões de euros para a totalidade do capital do
banco, devendo ficar concluído no primeiro semestre de 2026.Num
comunicado divulgado ao início da manhã, o BPCE dizia estar ainda “em
conversações com o Governo português e com o Fundo de Resolução Bancária
com vista à aquisição das suas participações no novobanco (11,5% e
13,5%, respetivamente), em condições idênticas”.O Novo Banco foi criado em 2014 para ficar com parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES), na resolução deste.Desde
2017, quando o Novo Banco foi vendido à Lone Star, o Fundo de Resolução
bancário injetou 3.405 milhões de euros no banco, provocando várias
polémicas políticas e mediáticas. Com o fim antecipado deste mecanismo,
em final de 2024, tornou-se possível a venda do Novo Banco e que este
pague já dividendos.A Lone Star anunciou
para este ano a venda de parte do banco em bolsa e um plano de
distribuição de dividendos para tornar a instituição atrativa para os
investidores.