Governo vai injetar o teto máximo de 850 ME no Novo Banco
27 de fev. de 2020, 12:27
— Lusa/AO Online
Na quarta-feira, o
presidente do Fundo de Resolução anunciou, no parlamento, que o Novo
Banco vai pedir mais 1.037 milhões de euros relativos a 2019 para se
recapitalizar, tendo à data avançado haver "recetividade em abstrato" a
uma injeção única antecipada de capital.Em
audição na Comissão de Orçamento e Finanças, a pedido do Bloco de
Esquerda, Máximo dos Santos defendeu que um eventual fim antecipado do
Mecanismo de Capitalização Contingente "teria como efeito diminuir a
incerteza e aumentar a previsibilidade", pelo que "houve recetividade em
abstrato" a uma solução de injeção de capital única, "tanto do Fundo de
Resolução, como do Novo Banco, como da Lone Star e também do Governo,
com quem houve reuniões"."Da parte do
Estado, o estado contribuirá única e exclusivamente com aquilo que
consta do orçamento do Estado e foi aprovado pela Assembleia da
República e contribuirá e reitero numa modalidade de empréstimo, como
tem sido até agora", afirmou o chefe do Governo em declarações aos
jornalistas à entrada do Conselho do Ministros descentralizado que
decorre em Bragança no âmbito da iniciativa "Governo mais próximo".De
acordo com António Costa, nas condições de venda foi fixado um teto
máximo do montante que o Fundo de Resolução poderia contribuir e, por
outro lado, todos os anos o Orçamento do Estado fixa o montante máximo
dos empréstimos por parte do estado. "Portanto,
o empréstimo que este ano o Estado concederá ao Fundo de Resolução é
aquele que consta do Fundo de Resolução para 2020, são 850 milhões de
euros", declarou, reiterando mais uma vez que se trata de um empréstimo
que depois o Fundo de Resolução terá de devolver, no longo prazo, ao
Estado.Em 2017, o Novo Banco foi vendido
em 75% ao fundo norte-americano Lone Star, mantendo os restantes 25% o
Fundo de Resolução bancário (entidade da esfera do Estado gerido pelo
Banco de Portugal).O Novo Banco tem pedido
ao Estado créditos tributários referentes a ativos por impostos
diferidos (resultantes da diferença entre os custos contabilísticos com
imparidades ou provisões e os custos reconhecidos para efeitos fiscais)
pelos anos em que tem prejuízos, ao abrigo do regime que vigorou entre
2014 e 2016.O recurso ao regime de ativos
por impostos diferidos por parte de qualquer banco implica a
constituição de um depósito em favor do Estado, em 110% do crédito
tributário, que o Estado pode converter em ações, tornando-se acionista
do banco que recorra a esse regime, diluindo a posição dos restantes
acionistas.Em setembro do ano passado, o Novo Banco estimou que o Estado possa ficar com até 10% do seu capital.Em
janeiro, a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua estimou,
no parlamento, em mais de 500 milhões de euros as injeções de capital
do Estado no Novo Banco ao abrigo do regime de ativos por impostos
diferidos.Segundo a deputada, através
deste regime, o Novo Banco pediu ao Estado 154 milhões de euros em 2015
(que foram pagos em 2017), mais 99,5 milhões em 2016 (pagos em 2018) e
136 milhões de euros em 2017 (que se previam ter sido pagos em 2019, mas
não foram e deverão ser em 2020, já que há uma verba de 130 milhões
prevista no Orçamento do Estado para 2020). Além disso, há ainda 162
milhões de euros que o Novo Banco pediu em 2018.Na
quarta-feira, o BE anunciou que irá avançar com uma iniciativa
legislativa para garantir que não entra "nem mais um cêntimo no Novo
Banco sem que seja conhecida a auditoria às suas contas e ao tratamento
dos créditos provenientes do BES".