Governo vai criar compensações para rotas não liberalizadas entre continente e Açores
11 de mar. de 2022, 13:24
— Lusa/AO Online
A medida foi referida pelo gabinete do
primeiro-ministro, António Costa, em resposta a uma carta enviada
pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, a que a
Lusa teve acesso, e na qual o executivo socialista se compromete a
encontrar contrapartidas para as companhias que operem em rotas
deficitárias.“Informo que o Governo da
República se encontra a preparar as diligências tendentes à abertura de
concurso público internacional relativo aos serviços aéreos regulares
nas rotas não liberalizadas entre o continente e a Região Autónoma dos
Açores e entre esta e a Região Autónoma da Madeira”, refere o ofício
enviado pela República.A carta refere-se,
em concreto, às rotas de serviço público Lisboa/Horta/Lisboa,
Lisboa/Pico/Lisboa, Lisboa/Santa Maria/Lisboa, e também à rota
Funchal/Ponta Delgada/Funchal, que desde 2015 são efetuadas sem
compensações financeiras.O executivo de
António Costa adianta que estão em análise e ponderação, no âmbito deste
concurso, as obrigações de serviço público a fixar, bem como “o modelo e
a compensação financeira” a atribuir às companhias que continuem a
operar nestas rotas.As explicações do
Governo da República surgem em resposta a uma carta que o
social-democrata José Manuel Bolieiro enviou no início de fevereiro ao
primeiro-ministro, em que apelava à resolução da situação.Na
missiva, a que a Lusa teve acesso, o executivo açoriano lembrava que
era preciso encontrar uma solução para o problema das rotas não
liberalizadas entre o continente e os Açores, atualmente asseguradas
pela companhia pública açoriana SATA.José
Manuel Bolieiro recordava também que a indefinição relativamente este
processo constituía “um obstáculo à aprovação do plano de
reestruturação” da companhia aérea regional, uma vez que, de acordo com
as imposições comunitárias, a transportadora açoriana teria de deixar de
operar para rotas deficitárias.O
presidente do Governo Regional explicava também que a SATA tinha
submetido ao regulador aéreo um plano de exploração destas rotas apenas
até ao corrente mês de março e que, depois desta data, não poderia ser
exigido à companhia área que continuasse a voar para o Faial, Pico e
Santa Maria.“Peço-lhe por isso, senhor
primeiro-ministro, que os seus bons ofícios permitam encetar as
diligências necessárias a garantir que os açorianos, em particular os
das ilhas de Santa Maria, do Pico e do Faial, continuem a beneficiar de
voos diretos do território continental, e que possamos, a breve trecho,
ver aprovado o plano de reestruturação de uma empresa crucial para os
Açores e para Portugal”, insistia.Esta
troca de correspondência entre a República e a região sobre as ligações
aéreas entre o continente e os Açores é conhecida no dia em que o
parlamento regional se prepara para apreciar uma proposta do Bloco de
Esquerda relacionada com este assunto.Os
bloquistas entregaram na Assembleia Legislativa dos Açores um projeto de
resolução em que recomendam ao governo que reivindique junto da
Comissão Europeia a manutenção destas rotas por parte da SATA, com o
argumento de que os Açores são uma região ultraperiférica.A
recomendação é também para que o executivo regional reivindique junto
de Lisboa a necessária compensação financeira nestas ligações aéreas.