Governo vai apresentar nova Lei de Finanças Locais para atualizar recursos
16 de jun. de 2024, 19:44
— Lusa/AO Online
“Estamos
focados em poder apresentar, em diálogo com os municípios, uma nova Lei
de Finanças Locais que possa vir a atualizar este novo enquadramento e
dar de forma transparente, previsível e justa os recursos financeiros de
que os mancípios precisam para exercer as competências que lhe foram
atribuídas”, afirmou Luis Montenegro, referindo-se à descentralização de
competências do Estado.O social-democrata
tinha já afirmado em maio que o executivo iria “revisitar” o diploma
para lhe “conferir maior previsibilidade e maior confiança”.A
discursar numa cerimónia para assinalar os 50 anos de elevação a
cidade da Póvoa de Varzim, no distrito do Porto, o chefe de Governo
reafirmou o compromisso com a descentralização, defendendo que o
processo “só vale a pena se as competências forem reais, se não forem
apenas aparentes e se houver meios financeiros para executar essas
competências”.A alteração desta legislação
tem sido uma reivindicação das autarquias. Em maio, a Associação
Nacional de Municípios Portugueses propôs, “na verdadeira aceção do
termo, uma nova Lei de Finanças Locais: uma lei que modernize Portugal e
que seja em si mesma uma reforma do Estado, tornando-o mais eficiente e
próximo das pessoas”.Em jeito de resposta
às críticas da oposição ao trabalho do executivo (PSD/CDS-PP), Luís
Montenegro referiu que, apesar de nem toda a gente acreditar no seu
projeto e de muitos terem ideias diferentes, “o Governo da República foi
escolhido pelo povo, o Programa do Governo foi apresentado à Assembleia
da República”.“Se a principal crítica que
quiserem continuar a fazer ao Governo é que o Governo está a executar o
seu Programa, então vão-se cansar de criticar, porque nós vamos
executar esse Programa até ao fim”, assegurou.Num
concelho com uma atividade económica fortemente marcada pela pesca e
pelo turismo, o governante sublinhou que “nunca um ministro da
Agricultura e Pescas esteve tantas vezes ao lado de uma ministra do
Ambiente e Energia”. Estes, acrescentou, são “dois setores que andam de
mãos dadas e não podem nunca estar a conflituar, não se pode nunca
pensar que um deles vale mais do que o outro”.E
defendeu: “Na agricultura, nas pescas, no turismo, é preciso preservar o
ambiente. Mas também é preciso garantir a sustentabilidade destas
atividades económicas e das pessoas que as promovem no terreno.”Luís
Montenegro aproveitou o momento para elencar algumas das áreas em que o
executivo interveio nos primeiros meses de governação, dando como
exemplo a Educação. “Nós tomámos posse
há pouco tempo, já tivemos ocasião de decidir coisas importantes - na
escola pública, dando mais estabilidade à escola pública, com medidas
que querem, e espero mesmo que possam atingir, maior capacidade de
termos professores nas escolas, para não termos tantos milhares de
alunos que ficam para trás nas aprendizagens por não terem professor a
pelo menos uma disciplina”, indicou.“Na
Saúde, com um programa que é de emergência e de transformação. Na
Solidariedade Social, ajudando os pensionistas que são os mais pobres
dos pobres, aqueles que têm um rendimento inferior a 550 euros e que
agora elevámos para 600 euros”, acrescentou.O
primeiro-ministro destacou também medidas nas áreas da Habitação, “um
setor fundamental para muitos portugueses poderem ficar em Portugal”, e
da Imigração, “regulando a entrada e permanência dos imigrantes”.“Imigrantes
que nós precisamos, que nós queremos acolher e integrar com dignidade. E
é precisamente a pensar numa integração digna que é preciso não fechar a
porta, mas também não a deixar completamente escancarada”, disse.