Governo Trump quebra tradição de suspender execuções após derrota eleitoral
20 de nov. de 2020, 12:05
— Lusa/AO Online
Orlando
Hall foi executado com uma injeção letal numa prisão do estado de
Indiana, no final de um dia em que um tribunal federal suspendeu a
execução e, poucas horas depois, o Supremo Tribunal a reconfirmou.O
afro-americano, de 49 anos, foi condenado à morte em 1995 por
sequestro, violação e assassínio de uma menina de 16 anos, Lisa Rene,
que espancou e enterrou viva, como parte de um acerto de contas.Durante
a tarde (horas locais) de quinta-feira - o seu último dia antes da
execução -, Orlando Hall viu a pena de morte suspendida por uma juíza
federal para que o tribunal analisasse questões constitucionais
levantadas pelos advogados do condenado, incluindo preocupações com os
protocolos de execuções.“O tribunal está
profundamente preocupado com a intenção do Governo de prosseguir com um
método de execução que este tribunal e o Tribunal de Recurso
consideraram violar a lei federal", argumentou a juíza Tanya Chutkan, na
fundamentação da decisão.A execução aconteceu ainda antes da meia-noite. Esta
foi a primeira decisão da nova juíza do Supremo Tribunal, Amy Coney
Barnett, que assumiu o cargo há cerca de um mês, por indicação do
Presidente Donald Trump.Orlando Hall foi o
oitavo preso federal condenado à morte desde que a administração Trump
retomou as execuções federais, este ano, após uma pausa de quase duas
décadas.Embora quase todos os estados
norte-americanos tenham renunciado à aplicação da pena de morte desde o
início da pandemia, a administração de Donald Trump realizou um número
sem precedentes de execuções: oito desde julho, contra três nos últimos
45 anos.Mais duas execuções estão
planeadas nas próximas semanas, apesar da existência de uma tradição,
respeitada durante 131 anos, de os presidentes não reeleitos suspenderem
as execuções até que o seu sucessor seja empossado.A
execução de Lisa Montgomery, que será a primeira mulher executada pelo
Governo federal em 70 anos, estava inicialmente marcada para 08 de
dezembro, mas foi adiada para 31 de dezembro porque os seus advogados
contraíram covid-19.Os Estados Unidos também planeiam executar Brandon Bernard, em 10 de dezembro.