Governo tem razões para acreditar que uso da Base das Lajes está a ser respeitado
Irão
Hoje 16:29
— Lusa/AO Online
No parlamento, numa
audição na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas,
Paulo Rangel referiu-se ao entendimento técnico sobre a utilização da
base militar nos Açores e que prevê “a resposta a um ataque concreto e
de acordo com o princípio da proporcionalidade e da necessidade e sem
visar infraestruturas civis” no âmbito do conflito.“Estas
são as razões que Portugal pôs e temos razões para acreditar que foram
respeitadas”, declarou o chefe da diplomacia portuguesa, apontando uma
“colaboração leal” por parte das autoridades de Washington.Paulo
Rangel partilhou dados sobre o movimento na Base das Lajes nas últimas
semanas, que considera “ínfimo relativamente ao esforço de guerra”
empenhado pelos Estados Unidos, Israel e também os países do Golfo que
foram arrastados para o conflito.Segundo o
ministro, desde 15 de fevereiro, 13 dias antes do início da ofensiva
aérea israelo-americana contra a República Islâmica, foram registadas 76
aterragens nas Lajes, “o que não é um número propriamente
extraordinário”, e 25 sobrevoos no espaço aéreo português.“O
Governo fez questão de tratar este assunto com transparência”, reforçou
Paulo Rangel, que desvalorizou por outro lado as recusas de parceiros
da NATO sobre a utilização dos Estados Unidos das suas instalações
militares, insistindo que Portugal acompanha todos os movimentos nas
Lajes e mantém o diálogo com Washington.“Recusas
há sempre, mas não vamos pôr isso nos jornais”, observou,
acrescentando: “Nós temos um aliado que são os Estados Unidos, temos uma
obrigação de cooperação com os Estados Unidos que estamos a cumprir,
cumprimo-la com este rigor e digo à opinião pública portuguesa e aos
portugueses que estamos a dizer a verdade. Os outros governos fazem o
que entendem”.Na sua intervenção inicial
junto dos deputados da comissão parlamentar, o ministro de Estado e dos
Negócios Estrangeiros reafirmou que Portugal defende uma solução
diplomática para a guerra no Médio Oriente e criticou “uma escalada no
terreno ou na retórica”, no dia em que o Presidente norte-americano,
Donald Trump, ameaçou que "uma civilização inteira morrerá esta noite",
referindo-se ao Irão e ao ultimato dado ao regime de Teerão, que expira
às 20h00 de hoje em Washington (01h00 de quarta-feira em Lisboa).“Portugal está contra atingir qualquer infraestrutura civil e contra qualquer escalada no terreno ou na retórica”, afirmou.O
chefe da diplomacia assinalou que a posição de Portugal não mudou em
relação ao que foi enunciado “de modo absolutamente claro e insuscetível
de qualquer dúvida, pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro”, no dia 4
de março no parlamento, de que Portugal “não apoia e não participa na
intervenção militar".Paulo Rangel destacou
que o Governo português acompanhou as negociações entre as partes,
mediadas por Omã, nos dias que antecederam o conflito e que, desde o
início das hostilidades, tem estado em contacto com “todos os homólogos
dos países atingidos”, elencando os Estados do Golfo, mas também as
diplomacias que têm estado a desenvolver esforços negociais, como o
Paquistão e o Egito.Os Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão.Teerão
respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas
nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o Estreito de Ormuz, o que
fez disparar os preços do petróleo.