Governo tem "falta de vontade política" e contestação social pode aumentar
29 de out. de 2024, 12:30
— Lusa/AO Online
"A proposta do
Governo não alterou uma única casa decimal da última reunião para hoje",
afirmou o coordenador da Federação Nacional dos Sindicatos dos
Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (Frente Comum), indicando
que a "única exceção é para 2028", com o Governo a propor agora um
aumento de 60 euros ou um mínimo de 2,3%."Este
Governo não tem vontade nenhuma de valorizar os serviços públicos e usa
os trabalhadores da Administração Pública como instrumento para os
degradar", afirmou Sebastião Santana, à saída da reunião com a
secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, em
Lisboa. O coordenador da Frente Comum
criticou ainda que aquilo que considera ser a pouca evolução que o
Governo fez na atualização salarial para o próximo o ano face ao que
está previsto no acordo assinado com o anterior executivo. "Passou de 2%
para 2,1%, o que levou a Frente Comum a propor que deixasse de ser 15% e
passasse a ser 14,9%", ironizou.De
recordar que o Governo propõe um aumento de 55,26 euros (o equivalente a
um nível remuneratório da Tabela Remuneratória Única) ou um mínimo de
2,1% para 2025. "O problema aqui não é
dinheiro é falta de vontade política", defendeu Sebastião Santana,
apontando que a contestação social pode aumentar. "É natural que o
descontentamento se intensifique e que isso se veja nas ruas",
sublinhou, antecipando que "uma grande parte dos trabalhadores da
Administração Pública estarão no próximo dia 09" de novembro na
manifestação convocada pela CGTP. Segundo
o coordenador da Frente Comum, na reunião de hoje, o Governo disse
ainda "que se propunha a equacionar" nos próximos anos a "alteração do
subsídio de refeição, ajudas de custo e abono para falhas", não
antecipando, no entanto, uma data concreta para eventuais mexidas. A Frente Comum, afeta à CGTP, diz que vai agora avaliar se avança ou não com um pedido de reunião suplementar. A
secretária de Estado da Administração Pública está agora reunida com o
secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública e
de Entidades com Fins Públicos (Fesap). Na
ronda negocial, o STE foi o primeiro a ser recebido. À saída, a
líder deste sindicato indicou que não chegou a acordo com o Governo e
disse acreditar que a proposta de atualização geral dos salários da
função pública "pode ser melhorada", pelo que vai avançar com um pedido
de reunião suplementar.