Governo talibã afirma que direitos das mulheres estão fora da agenda de Doha
29 de jun. de 2024, 16:00
— Lusa
A delegação que
representa os talibã na sua primeira reunião internacional neste
formato, que começa no domingo, será chefiada por Zabiullah Mujahid,
porta-voz principal do governo de Cabul, e por representantes do
Ministério do Interior, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ministério
do Comércio e da Indústria e do Banco Central do Afeganistão.Segundo
o chefe do gabinete político dos talibã em Doha, Suhail Shaheen, a
reunião, cuja ordem de trabalhos foi negociada durante meses entre a ONU
e os fundamentalistas, abordará a luta contra os estupefacientes e as
sanções financeiras e bancárias.Esta será a
terceira ronda de conversações internacionais sobre o Afeganistão a ter
lugar em Doha desde a tomada de Cabul pelos talibã e a primeira em que
estes participam. É também a primeira vez que os representantes da
sociedade civil afegã e os ativistas dos direitos humanos não são
convidados pela ONU."O Emirado Islâmico
Afegão é o governo do Afeganistão e não deveria haver outros
representantes do Afeganistão", respondeu hoje durante uma conferência
de imprensa Mujahid, quando questionado porque não foram convidados os
representantes das mulheres afegãs.Segundo o governo fundamentalista, dar voz aos afegãos através de diferentes canais "abre caminho à interferência estrangeira".Os
talibã também não esperam abordar questões como a aplicação da lei
islâmica, os castigos corporais ou a abolição do direito das mulheres à
educação, as restrições ao trabalho ou à circulação.A
este respeito, o porta-voz dos talibã afirmou que "as questões
relacionadas com os afegãos são questões internas e as reuniões
internacionais não são o local adequado para as levantar".Entretanto,
os ativistas dos direitos das mulheres afegãs manifestaram o seu
desapontamento com a reunião que, na sua opinião, não tem qualquer
relevância se não forem abordadas as questões dos direitos fundamentais.A
questão mais importante e catastrófica é a dos direitos das mulheres
afegãs, que são completamente ignorados pelos talibã. Se a reunião é da
ONU e não tem interesses políticos, as mulheres deveriam e devem fazer
parte da reunião", disse à EFE a defensora dos direitos afegãos Mina
Rafiq.Mas sem isso "a reunião abrirá
caminho a mais violações dos direitos das mulheres afegãs e à sua
privação da vida pública e, mais uma vez, os seus direitos serão
ignorados", lamentou.A agenda oficial da
reunião de Doha não foi divulgada, mas espera-se que aborde questões
como a ajuda humanitária, a reconstrução do país e a luta contra o
terrorismo.