Governo surpreendido com encerramento do Instituto do Mar
8 de nov. de 2017, 13:21
— Lusa/AO online
“Fiquei
surpreendido com as notícias, aliás porque tinha tido uma conversa há
poucos dias com o senhor reitor a falar das Ciências do Mar. Na altura, o
senhor reitor tinha-me garantido que não ia fechar o IMAR e que a
universidade tinha uma estratégia própria que gostava de desenvolver e
foi-me relatada essa estratégia”, afirmou Gui Menezes.Na
passada quinta-feira, em declarações à Antena 1/Açores, Hélder Silva,
presidente do instituto, disse que o IMAR, sediado na ilha do Faial,
iria fechar, mas que não estavam em causa despedimentos, porque os
funcionários seriam transferidos para um novo instituto a criar.No dia seguinte, cerca de meia centena de técnicos e investigadores do IMAR manifestaram-se contra o encerramento do instituto.O
governante adiantou que, após a notícia, tornou a falar com o reitor,
que lhe garantiu que o que tinha dito se mantinha e que “o fecho do IMAR
não depende só do seu presidente, depende das universidades que são
associadas dessa instituição”.Salientando
que o Governo Regional “não se intromete na vida nem da universidade,
nem do IMAR”, o secretário regional destacou, contudo, que o executivo
açoriano tem “uma parceria de há muitos anos” com o instituto.“A
preocupação que temos é, sendo o mar um desígnio estratégico para os
Açores, queremos garantir que a investigação que é feita e a relevância
que ela tem até no apoio à decisão para o Governo Regional se mantenha
para o futuro”, adiantou Gui Menezes, que integrou os corpos sociais do
IMAR e é investigador auxiliar no Departamento de Oceanografia e Pescas.Gui
Menezes adiantou que o IMAR “tem algumas responsabilidades para com o
Governo Regional na prossecução de uma série de protocolos”,
nomeadamente de apoio à decisão na área das pescas, pelo que tem de ser
garantido que “esses protocolos são executados por esta ou por outra
instituição que venha a surgir em substituição”.“Aí
também, de alguma forma, a minha estranheza de não ter sido pelo menos
avisado antecipadamente dessa vontade do presidente do IMAR”, declarou,
destacando que o grupo de investigação ligado ao instituto e ao
Departamento de Oceanografia e Pescas “é muito relevante até para o
país, tem investigação de nível internacional”, pelo que “é com alguma
mágoa” que vê a situação que “transparece algum mal-estar interno”.Gui
Menezes explicou que o reitor da Universidade dos Açores lhe transmitiu
que a estratégia é a criação de um centro de investigação que seja
reconhecido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). “Da
parte do Governo, temos programas com os quais temos responsabilidades
de resposta, mesmo perante a Comissão Europeia, e estamos a preparar
alternativas se as coisas não correrem bem, não creio que vão correr
mal”, acrescentou, defendendo a necessidade de ser encontrada “uma
solução de consenso para que a qualidade de investigação se mantenha” e
para que “os trabalhadores possam ter garantido o seu futuro”.