Governo remete balanço do plano para sem-abrigo para início de 2020 e admite reajustes
19 de nov. de 2019, 18:08
— Lusa/AO Online
A ministra Ana Mendes
Godinho falava aos jornalistas no final de um encontro no Palácio de
Belém, em Lisboa, promovido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo
de Sousa, e que juntou à mesa de trabalho representantes do Governo, da
Câmara Municipal de Lisboa, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
(SCML) e de associações que trabalham com pessoas sem-abrigo.“O
objetivo foi fazermos um levantamento das medidas implementadas ao
longo deste ano. O plano de ação é para dois anos, estamos a meio do
plano de ação e o que fizemos também foi a identificação da necessidade
de algumas medidas poderem ser reajustadas em função da execução deste
ano”, disse a ministra, que resumiu o objetivo da reunião de hoje a um
balanço do trabalho feito em conjunto com as associações e perspetivar o
trabalho futuro.A Estratégia Nacional
para a Integração de Pessoas Sem-Abrigo (ENIPSSA) tem em curso o seu
segundo plano de ação, para o biénio 2019-2020, estando previsto que o
ponto de situação, nomeadamente ao nível de verbas e medidas executadas,
aconteça no início de 2020.“Tal como
estava previsto, o plano de ação vai ser monitorizado e esses números
vão ser divulgados no início do segundo ano, no início de 2020”, disse.Sobre
o encontro de hoje, a ministra referiu que foram identificadas
situações concretas do dia-a-dia, às quais é preciso responder, algumas
das quais “atípicas”, que saem “fora do quadro normal de financiamento” e
que precisam de “uma resposta mais célere”.Ana
Mendes Godinho adiantou ainda que os problemas da habitação foram
“sinalizados” como prioridade, assim como a formação, a integração e a
saúde mental, mas sem especificar medidas de ação.A
única medida concreta de apoio a pessoas sem-abrigo saída da reunião de
hoje prende-se com a saúde oral, tendo a SCML disponibilizado a estas
pessoas o acesso às instalações recentemente criadas para tratar
crianças, o centro SOL.“Tivemos aqui a
preocupação de identificar algumas medidas mais específicas que também
respondam ao que são os problemas de integração destas pessoas no
mercado de trabalho. Sabemos como é crítica a questão da saúde oral”,
declarou.Questionada sobre notícias
recentes que apontavam que os 131 milhões de euros alocados à ENIPSSA
para o biénio em curso não estavam a chegar às câmaras municipais de
Lisboa e Porto nem às associações do setor, a ministra afirmou que este
valor se refere “apenas ao que está na alçada da Segurança Social”, ou
seja, com o que tem a ver com as questões do apoio às associações.“Este
plano de ação não previa aquilo que deviam ser as soluções apresentadas
e disponibilizadas por parte das câmaras relativamente à habitação”,
esclareceu.Sobre a capacidade de resposta
das associações e dos meios que lhes são entregues, Ana Mendes Godinho
sublinhou que “até houve um reforço”.“Aumentámos
em 14 o número de protocolos com as associações que prestam apoio às
pessoas em situação de sem-abrigo. Até tem havido capacidade de
resposta. O que tem sido mais difícil encontrar são soluções que
respondam a situações atípicas”, disse.