Governo rejeita ter versões contraditórias sobre reunião com a presidente executiva
6 de abr. de 2023, 18:42
— Lusa
A questão da
controversa reunião ocorrida em 17 de janeiro, juntando deputados do PS,
elementos do Governo e a presidente executiva da TAP, foi hoje colocada
pelos jornalistas de forma insistente no briefing do Conselho de
Ministros.Na quarta-feira, o Ministério
dos Assuntos Parlamentares referiu que só fez a “ponte” para marcar a
reunião virtual, já que isso lhe foi solicitado, e que não incluiu por
sua iniciativa convites Christine Ourmières-Widener.Hoje,
o Ministério das Infraestruturas afirmou que em 16 de janeiro foi
informado que a TAP tinha interesse em participar na reunião do dia
seguinte com o grupo parlamentar do PS e que João Galamba “não se opôs”.“Não há nenhuma contradição. Leiam as duas respostas”, declarou Ana Catarina Mendes.Antes,
por várias vezes, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva,
recusou abordar a questão desta reunião num briefing do Conselho de
Ministros, alegando que a sede para esse debate é a Assembleia da
República, designadamente a comissão parlamentar de inquérito sobre a
gestão da TAP.“Este é o tempo em que na
Assembleia da República os temas são discutidos no âmbito da comissão
parlamentar de inquérito, que decorre e decorrerá. Quanto ao mais, não
tenho nada a acrescentar aos comunicados feitos pelos ministros das
Infraestruturas ou às respostas já dadas pela ministra Adjunta e dos
Assuntos Parlamentares”, declarou.Neste
ponto, Mariana Vieira da Silva fez também questão de acentuar que, “num
momento a determinar pela comissão de inquérito parlamentar da TAP, o
Governo também será chamado a responder”.“É no quadro da comissão parlamentar de inquérito que essas respostas devem ser dadas”, advogou.Face
à repetição de perguntas sobre esta questão, Ana Catarina Mendes disse
ainda que terá “todo o gosto em explicar aos jornalistas parlamentares o
funcionamento a articulação do Governo com o parlamento”.“Na
quarta-feira emiti uma nota em resposta a um órgão de comunicação
social em que explico como funciona a articulação. Muitas vezes os
grupos parlamentares solicitam a articulação com os ministérios”,
observou.Tal como fizera antes Mariana
Vieira da Silva, a ministra Ana Catarina Mendes considerou que o
briefing do Conselho de Ministros “não é o fórum” para abordar a questão
levantada na comissão parlamentar de inquérito da TAP.Christine
Ourmières-Widener confirmou, na terça-feira, uma denúncia da Iniciativa
Liberal (IL) sobre a reunião com o grupo parlamentar do PS, na véspera
de ir ao parlamento, em janeiro, dar explicações sobre a indemnização à
ex-administradora Alexandra Reis.O
deputado Bernardo Blanco, da IL, quis saber se naquela reunião houve
alguma combinação de perguntas e respostas, nos esclarecimentos a dar à
Assembleia da República, ao que a gestora disse não se recordar.“Penso
que a ideia era fazerem perguntas sobre o processo e eu respondi a
essas perguntas”, disse a ainda presidente executiva, acrescentando que,
segundo a sua agenda, não estavam membros do Governo presentes na
referida reunião, mas sim assessores e chefes de gabinete de membros do
Governo.Questionada sobre de quem partiu a
iniciativa de realizar a reunião, Christine Ourmières-Widener disse
que, se bem se recorda, partiu do gabinete do Ministro das
Infraestruturas, que na altura já era João Galamba.Em
dezembro, Alexandra Reis tomou posse como secretária de Estado do
Tesouro, tendo então estalado a polémica sobre a indemnização que
recebeu quando saiu da companhia aérea detida pelo Estado, levando a uma
remodelação no Governo, incluindo a saída de Pedro Nuno Santos, que foi
substituído por João Galamba.