Governo rejeita divergências com diretor da PJ sobre sentimento de insegurança
21 de jan. de 2025, 11:24
— Lusa/AO Online
Em declarações aos
jornalistas no final da segunda reunião do Conselho Nacional para as
Migrações e Asilo, que hoje decorreu nos Paços do Concelho, em Lisboa, o
ministro António Leitão Amaro rejeitou divergências com o diretor da
PJ, que recentemente associou o sentimento de insegurança em Portugal ao
aumento da desinformação, sem relação com os números reais de
criminalidade.“Eu, como qualquer
governante, também acho que há muita desinformação a circular no debate
público. É verdade. Eu não interpreto nenhuma divergência entre o que
disse nenhum dos responsáveis das polícias, com quem temos um contacto
muito próximo”, disse Leitão Amaro, que referiu haver “vários relatos
com vários números”. O ministro separou
também a questão da insegurança do tema da imigração: “O Governo, o
primeiro-ministro, eu próprio, a senhora ministra da Administração
Interna, inúmeras vezes temos dito sobre a segurança que é um tema
diferente do tema da imigração. Nunca foi o Governo que misturou os
temas”.Acrescentou, sobre a mistura de
temas, que esta acontece com diferentes intenções e que os crimes devem
ser investigados e julgados “por si” e “sem olhar à raça, à
nacionalidade, à cor da pele, ao credo religioso”.“A
cor da pele, a nacionalidade, não são razões nem para perseguir nem
para ser excluído de investigação”, disse o ministro que tutela a pasta
imigração.O diretor nacional da PJ, Luís
Neves, afirmou na sexta-feira que o sentimento de insegurança é gerado
pelo aumento da desinformação e ameaças híbridas, salientando que os
números de criminalidade violenta desmentem essa ideia.Rejeitou
também que os estrangeiros sejam responsáveis por níveis relevantes de
criminalidade em Portugal e sublinhou o peso reduzido que têm na
população prisional.O ministro reiterou
que Portugal é um dos países mais seguros do mundo, mas insistiu que,
para manter esse estatuto, o país não pode “continuar impávido”.Acrescentou
que a segurança “é uma prioridade e o Governo mantém a orientação que
tem tido sobre a necessidade de proximidade, de visibilidade e atuação
para preservar a segurança em Portugal”, acrescentando que nesse âmbito o
policiamento de proximidade e as ‘bodycams’ são apostas do executivo.Sobre
a denúncia de violação de uma mulher italiana por três homens no Martim
Moniz, o ministro da Presidência rejeitou comentar o caso concreto por
estarem ainda a ser apurados os factos, mas num “comentário geral e
abstrato” defendeu que “crimes sobre mulheres tal como sobre crianças
são especialmente repugnantes e merecem uma atuação por parte das forças
de segurança firme, presente, e que faça justiça”.Questionado
sobre o envio de envelopes contendo um pó suspeito a várias
instituições e órgãos de soberania, hoje noticiado quando o ministro se
encontrava na reunião do Conselho Nacional de Migrações e Asilo, Leitão
Amaro não quis alongar-se em comentários, sublinhando a investigação em
curso e afirmando que "quando houver novidades relevantes serão
transmitidas”.A propósito dos pedidos de
regularização de imigrantes pendentes na Agência para a Integração,
Migrações e Asilo (AIMA) e dos custos que estarão a impedir imigrantes
de concluir o processo, o governante imputou ao anterior Governo a
tabela de custos em vigor, sublinhou que o custo de 400 euros não se
aplica a todos os processos, mas apenas aos mais complexos e com maior
volume de informação para analisar e defendeu que “o custo deve ser
suportado por quem faz o pedido”.“Tenho a
certeza de uma coisa, se perguntarmos a todos os que pagam impostos em
Portugal, portugueses ou estrangeiros, se entendem ou não que quem deve
pagar o custo de um novo processo administrativo deve ser quem o pede e
não os impostos de todos, acho que concordam”, disse.Sobre
a reunião de hoje, o ministro considerou-a “muito importante”,
referindo que os números que serão públicos nas próximas semanas revelam
que Portugal registou um aumento “muito grande e muito rápido da
imigração” nos últimos cinco anos, o que justifica “uma mudança na
política de imigração”, implementando medidas do pacto europeu para as
migrações, nomeadamente as que aumentam o controlo e escrutínio dos
processos de entrada, da fiscalização, do acolhimento e do retorno, e
integração mais humanista.