Governo rejeita críticas do líder do PS/Açores sobre transportes em Santa Maria

Hoje 16:22 — Lusa/AO Online

“A ilha de Santa Maria passou a dispor, pela primeira vez, de uma escala semanal regular de navio porta-contentores, pondo fim a uma lacuna histórica no abastecimento marítimo da ilha”, revelou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, citada num comunicado.Segundo a governante, esta medida põe “fim a uma lacuna histórica no abastecimento marítimo da ilha”.“Santa Maria não dispunha de uma ligação semanal de transporte de mercadorias. Essa realidade foi alterada através de um trabalho sério, persistente e de diálogo construtivo entre o Governo dos Açores e os armadores, que permitiu garantir uma escala semanal de navios porta-contentores, como o ‘Margarethe’”, refere a governante na nota divulgada pelo Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM).Berta Cabral recorda que esta solução “mereceu reconhecimento generalizado” por parte das entidades locais, incluindo o Conselho de Ilha, que a consideraram “um avanço decisivo para reforçar a equidade entre ilhas, corrigir um problema estrutural antigo e melhorar de forma concreta o abastecimento e a dinâmica económica local”, é referido ainda.Em resposta às declarações do líder do PS/Açores, Francisco César, que na segunda-feira acusou o Governo de “incapacidade” nos transportes para Santa Maria, a secretária regional "rejeita categoricamente essas críticas", salientando "a robustez do modelo atualmente em funcionamento", lê-se na nota.“Para além do navio porta-contentores, Santa Maria conta ainda com o navio ‘Isabel C’, da empresa Parece e Machado, que assegura várias ligações semanais. Trata-se de um sistema complementar e reforçado que garante uma resposta consistente às necessidades da ilha”, disse.A governante sustentou que “nenhuma outra ilha dos Açores dispõe de um modelo de transporte de carga marítima tão completo, articulando de forma eficaz o transporte territorial com o transporte local”. No que respeita ao transporte marítimo de passageiros, Berta Cabral recordou as conclusões do Tribunal de Contas sobre a anterior operação da chamada “Linha Amarela”, apontando para “graves problemas de eficiência e sustentabilidade financeira”.Citando o Tribunal de Contas, o Governo Regional refere que a operação representou "um encargo público significativo e desproporcionado, tendo custado cerca de 24 milhões de euros para um serviço sazonal limitado a apenas três meses ao longo de três anos, o equivalente a aproximadamente 2,6 milhões de euros por mês de operação". "O mesmo relatório evidenciou que 83,4% dos cerca de 28 milhões de euros de transferências públicas entre 2017 e 2019 foram absorvidos na cobertura de prejuízos da operação, demonstrando a sua incapacidade de gerar receitas próprias e a forte dependência de financiamento público", assinala. O Tribunal de Contas concluiu ainda pela "existência de um claro desajustamento entre a oferta e a procura, considerando que o serviço foi sobredimensionado face à utilização real, contribuindo para o desequilíbrio económico da Atlânticoline [empresa pública de transporte marítimo]", acrescenta.Berta Cabral sublinhou que as opções do atual Governo assentam "na responsabilidade, na eficiência e na adequação à realidade das ilhas", com "soluções sustentáveis que efetivamente servem as populações", assinalando o caso da “Tarifa Açores”.