Governo Regional pede ao parlamento dos Açores que mantenha unidade sobre subsídio de mobilidade
Hoje 16:03
— Lusa/AO Online
“O
que eu apelo é que se mantenha nestas questões a unidade do parlamento
dos Açores, porque a verdade é que o parlamento dos Açores saiu
reforçado nesta matéria”, disse Paulo Estevão no plenário regional, na
Horta, na ilha do Faial, durante um debate de urgência do PSD sobre o
SSM.O governante lembrou que os órgãos de
Governo próprio da Região Autónoma dos Açores já por duas vezes
derrotaram o propósito do Governo da República, quer em relação à
legislação referente à limitação de viagens aéreas para o continente aos
estrangeiros residentes no arquipélago, quer em relação à proposta de
lei regional que dispensa a exigência de situação contributiva
regularizada no acesso ao subsídio.“O que é
importante é manter esta unidade, para infligir uma derrota final em
relação às iniciativas que lá estão [na Assembleia da República] do
Partido Socialista, do Governo [Regional], que apresentou através desta
Assembleia, do Chega, em relação a esta matéria, e da Região Autónoma da
Madeira, as quatro que estão em discussão, que se faça agora a reforma
que tem que ser feita com o apoio das Regiões Autónomas dos Açores, da
Madeira, da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e da
Madeira, com a maioria que nós temos neste momento na Assembleia da
República, que ficou demonstrado que temos uma maioria, então que se
faça essa alteração”, afirmou.O governando
assegurou que o executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM) “está aberto à
consensualização das várias propostas que lá estão [na Assembleia da
República], no sentido de blindar a legislação para evitar todos estes
excessos, que o senhor deputado do Bloco de Esquerda [António Lima]
referiu e muito bem, que têm que terminar”.“Temos
a oportunidade única, temos uma maioria e temos que fazer uso dela para
impor aquela que é a vontade autonómica”, apelou o secretário regional
dos Assuntos Parlamentares e Comunidades dos Açores.Paulo
Estevão referiu, ainda, que tem razão quem diz que o SSM “não pode
designar-se por subsídio, porque não é nenhum subsídio”.“E,
por isso, a questão aqui é, realmente, dar-lhe a designação que ela
precisa de ter e que tem a ver com a coesão territorial, que tem a ver
com os mecanismos de compensação territorial, que tem a ver com estas
questões todas. E a isto não se pode chamar subsídio, é um direito
constitucional, é uma obrigação do Estado português e é assim que tem
que ser designado no âmbito da legislação que conseguimos
consensualizar”, afirmou.A Assembleia da
República aprovou, na semana passada, na generalidade, duas propostas de
lei dos parlamentos regionais dos Açores e da Madeira que dispensam a
exigência de situação contributiva regularizada no acesso ao SSM nas
viagens aéreas.Foi ainda aprovado um
diploma do Chega - com os votos contra de PSD, CDS-PP e IL, e a
abstenção de Livre e PCP - que defende a simplificação do SSM, propondo
que a designação seja substituída por “Direito à Compensação por
Continuidade Territorial” e definindo que a atribuição do subsídio
“implica a compra e a utilização efetiva do bilhete corresponde ao
pagamento de um valor variável sem um limite máximo”.Todos
os diplomas foram viabilizados com os votos contra das bancadas do PSD e
do CDS-PP (partidos que suportam o Governo da República), com a exceção
dos seis deputados sociais-democratas eleitos pelas regiões autónomas
da Madeira e dos Açores, que votaram a favor.O
diploma do parlamento açoriano propõe que o SSM seja “pago aos
passageiros por ele abrangidos qualquer que seja a sua situação
contributiva perante a Autoridade Tributária e Aduaneira e a Segurança
Social”.As apreciações parlamentares
querem alterar a portaria do Governo PSD/CDS-PP que define o modo de
apurar o valor do subsídio social de mobilidade, que introduziu como
critério para acesso ao reembolso das passagens a “regularidade da
situação contributiva e tributária do beneficiário, perante a Segurança
Social e a Autoridade Tributária e Aduaneira”.