Governo Regional em litígio com empresa que gere pousadas de juventude nos Açores
30 de mar. de 2023, 08:38
— Lusa/AO Online
“Até
à presente data, não houve qualquer pagamento efetuado no âmbito do
contrato de cedência de exploração”, admite o executivo açoriano
(PSD/CDS-PP/PPM), em resposta a um requerimento entregue no parlamento
regional pela bancada do BE, que questionou as razões do litígio que
atualmente existe entre o Governo Regional e a empresa que explora as
pousadas da juventude no arquipélago.O
secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública,
Duarte Freitas, explica, em resposta aos deputados do BE, que a empresa
Pousadas da Juventude dos Açores reclama o pagamento, pela região, do
custo das obras estruturais que é necessário efetuar no imóvel da ilha
Terceira, que está encerrado, devido a vários problemas detetados.Na
sequência dessa exigência, o Governo açoriano solicitou uma perícia
técnica ao Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC), em abril de
2022, que concluiu que “nenhuma intervenção efetuada ou prevista pela
Pousadas da Juventude dos Açores se enquadra nas patologias estruturais
passíveis de serem enquadradas” na reclamação.“Solicitada
e realizada uma segunda perícia, agora presencialmente, no decurso do
mês de julho de 2022, o LREC concluiu, no seu relatório final, a
existência de anomalias estruturais existentes no edifício, cujo
orçamento foi já diligenciado pela Direção Regional das Obras Públicas”,
no valor de 20 mil euros, acrescidos de IVA, lê-se na resposta do
Governo dos Açores.Confrontado com esta
informação, o executivo, através da Secretaria Regional da Juventude,
Qualificação Profissional e Emprego, interpelou a Pousadas da Juventude
para a necessidade do “cumprimento das suas obrigações contratuais”,
entre as quais “o pagamento das taxas fixas e variáveis e a obrigação de
explorar as pousadas e de as manter em boas condições”.O
litígio só foi ultrapassado em dezembro, quando as partes se reuniram e
acordaram em suspender eventuais pagamentos de encargos de exploração
até à conclusão dos serviços de consultoria para a peritagem técnica aos
edifícios, que foi adjudicado à Norma Açores.“Estando
a decorrer o trabalho de avaliação da situação por entidade
independente, não será tomada decisão sobre a matéria até à conclusão do
referido trabalho de peritagem”, justifica o Governo Regional.O
BE, que suscitou os esclarecimentos, já indicou que não ficou
satisfeito com as justificações apresentadas pelo executivo regional e
que pretende levar o assunto ao plenário da Assembleia Legislativa dos
Açores.