Governo Regional e sindicato mantêm divergência sobre dívida a enfermeiros
12 de abr. de 2018, 10:00
— Lusa/AO online
"Temos
o mesmo parecer do Provedor de Justiça sobre o assunto, mas temos uma
leitura diferente. A nossa leitura é que a partir do dia 1 de janeiro
deste ano, acabaram-se os constrangimentos legais no sentido de impedir
que o Governo pague a dívida", disse Francisco Branco, presidente da
direção regional dos Açores do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.O
sindicalista falava, em declarações aos jornalistas, em Angra do
Heroísmo, à margem de uma reunião com o secretário regional da Saúde,
Rui Luís. Segundo
Francisco Branco, o antigo presidente do Governo Regional Carlos César
(PS) comprometeu-se "voluntariamente" a repor o tempo de serviço de 2004
a 2008 aos funcionários públicos, o que pelas contas do sindicato faria
com que os enfermeiros recebessem mais um total de 4,5 milhões de
euros. "Os
funcionários públicos das carreiras do regime geral têm a situação
resolvida e esse tempo foi considerado e incorporado na carreira. Com os
enfermeiros, o tempo foi incorporado na carreira mais tarde e com a
dívida por pagar", apontou.Rui Luís salientou, no entanto, que o "o Governo Regional não reconhece que exista essa dívida"."Consideramos
que no período em causa (2008-2013), pelas restrições do Orçamento do
Estado, não havia valorização a fazer, ou seja, há a contagem do tempo -
e essa a partir de 01 de janeiro de 2018 efetivamente será aplicada a
todos os funcionários da administração pública - agora não há dívida",
salientou.O
sindicato comprometeu-se a fundamentar por escrito os motivos pelos
quais entende que o parecer da Provedoria de Justiça lhe da razão."Vamos
continuar a reclamar aquilo a que achamos que temos direito", frisou
Francisco Branco, acrescentando que não houve o desenvolvimento que
esperavam nesta reunião. O
secretário regional da Saúde vai voltar a reunir-se com o sindicalista
na próxima semana para retomar as negociações para que o horário laboral
dos enfermeiros dos hospitais com contrato individual de trabalho passe
de 40 para 35 horas semanais."O que o Governo nos transmitiu é que vamos caminhar no sentido de um acordo a curto prazo", adiantou Francisco Branco.Segundo
Rui Luís, as negociações iniciaram-se no ano passado, mas a proposta do
sindicato não contemplava a criação de um banco de horas e o Governo
Regional entende que se o objetivo é haver igualdade entre funcionários
com contrato individual de trabalho e em funções públicas, os primeiros
têm de ter banco de horas, à semelhança dos segundos.