Governo Regional diz que “porta não está entreaberta” à mineração no mar dos Açores
29 de jul. de 2024, 15:16
— Lusa/AO Online
O Conselho de Ministros
aprovou na sexta-feira uma resolução que “adota o Plano de Situação de
Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional para a subdivisão dos Açores
(PSOEM-Açores)”.Em comunicado de imprensa,
a Secretaria Regional do Mar e das Pescas açoriana, tutelada por Mário
Rui Pinho, esclarece “que a porta não está entreaberta à atividade de
mineração no Mar dos Açores, ao contrário do que alguns procuram
transparecer”.“As atividades de prospeção,
pesquisa e exploração de minerais metálicos são atividades legalmente
previstas na legislação portuguesa e da União Europeia, não apenas no
quadro legal do ordenamento do espaço marítimo, mas também da legislação
relativa à revelação e aproveitamento dos recursos geológicos e à
Avaliação de Impacte Ambiental”, acrescenta.Segundo
a nota, estas atividades devem ser tidas em conta no Plano de Situação,
“à semelhança do que acontece com os demais usos e atividades
legalmente previstos, evitando um vazio legal sobre esta atividade”.A
Secretaria Regional esclarece ainda que a sua inclusão no documento
“não é sinónimo de que esteja nele prevista, como efetivamente não o
foi”.“Precisamente face ao desconhecimento
atual sobre a mesma, nomeadamente da significância dos impactes
ambientais envolvidos, e numa abordagem precaucionária, considerou-se
não se encontrarem reunidas condições para a delimitação de áreas
potenciais para o seu desenvolvimento, obrigando assim a que qualquer
pretensão seja sujeita a procedimento de Plano de Afetação”, lê-se.A
Secretaria Regional do Mar e das Pescas dos Açores salienta, no que se
refere às atividades de prospeção, pesquisa e exploração de recursos
minerais metálicos, “que foi acordado que não seria definida situação
potencial pelas entidades competentes pela elaboração do Plano de
Situação para as subdivisões do Continente, Plataforma Continental
Estendida, Madeira e Açores”.“O XIV
Governo Regional dos Açores concorda com a abordagem preventiva em
matéria de minerais metálicos considerando o elevado risco da mineração
em mar profundo para o bom estado ambiental do meio marinho e o pouco
conhecimento existente a respeito, havendo, inclusivamente, um
entendimento governamental e político existente na Região Autónoma dos
Açores, com aprovação, por unanimidade, de documentação que recomenda
uma moratória à mineração dos fundos marinhos até 2050, em concreto, a
Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores n.º
23/2023/A, de 23 de maio”, refere.E
prossegue: “O próprio documento, em particular a análise ‘SWOT’ que é
feita em relação a esta atividade, elenca a falta de conhecimento
científico como uma das principais fraquezas associadas”.O
executivo açoriano justifica ainda que “as enormes lacunas no
conhecimento científico, sobretudo no que respeita ao impacto de plumas
de sedimentos decorrente das atividades no fundo marinho, e as muitas
incertezas sobre as dinâmicas do oceano pedem não só uma abordagem
precaucionária, mas, sobretudo, a procura de alternativas mais
sustentáveis que fortaleçam a resiliência do oceano”.A
nota também salienta que “as divergências entre os órgãos de governo
próprio e o Governo da República (bem como com o Tribunal
Constitucional) sobre esta matéria são por demais conhecidas e acabaram
por se refletir no atraso na aprovação do PSOEM-Açores”.