Governo Regional dá seis meses para avanços na Base das Lajes
15 de dez. de 2017, 14:44
— Lusa/AO online
"Esse
calendário é claro e está definido: seis meses ou a próxima reunião da
Comissão Bilateral Permanente, consoante o que acontecer primeiro, é
para nós o calendário apropriado para avaliarmos se esta nova abordagem
de que tivemos claros sinais (...) se materializa em resultados visíveis
e concretos no âmbito da descontaminação", realçou hoje Vasco Cordeiro,
presidente do Governo dos Açores.O
governante - que diz não querer falar em "ultimatos" sobre estes prazos
- dirigiu-se hoje aos jornalistas em Ponta Delgada, ilha de São Miguel,
depois de na quinta-feira se ter deslocado a Lisboa para a 38.ª reunião
da Comissão Bilateral Permanente prevista no Acordo de Cooperação e
Defesa assinado entre Portugal e os Estados Unidos da América.A
reunião, sustentou Vasco Cordeiro, marcou "uma nova abordagem" sobre o
assunto da descontaminação, nomeadamente com a "assunção, embora não
formalmente contabilizada, da necessidade de haver uma calendarização
para a execução de medidas concretas e visíveis" nessa matéria."Posso
assim afirmar que, do ponto de vista da atenção política e diplomática
para esta questão, considero que o assunto entrou numa nova fase. Mas o
facto de ter entrado numa nova fase não quer dizer que tenha chegado ao
seu destino ou esteja resolvido", prosseguiu o líder do Governo dos
Açores.Deve
haver, na ótica de Vasco Cordeiro, um "reforço dos mecanismos de
informação e transparência públicas, quanto ao que deve ser feito e
quanto ao que está ou não a ser feito" e "medidas concretas e visíveis,
não só de monitorização, mas, sobretudo, de efetiva descontaminação nos
locais onde a contaminação está comprovada e em todos os outros onde
venha, eventualmente, a estar"."Acredito
que neste momento há condições para termos resultados concretos e
visíveis", disse posteriormente o governante socialista, respondendo a
questões dos jornalistas.Esta
semana, na Assembleia da República, em Lisboa, o ministro dos Negócios
Estrangeiros afastou preocupações sobre a eventual contaminação da água
na ilha Terceira, mas o Governo quer ver esclarecida a situação de
alguns terrenos. A
"monitorização constante" que o Laboratório Nacional de Engenharia
Civil (LNEC) faz demonstra que "não há nenhum limiar de segurança em
matéria de qualidade de água abastecida à Praia da Vitória que tenha
sido violado ou infringido ou superado", disse no parlamento Augusto
Santos Silva, que foi ouvido na comissão parlamentar de Ambiente sobre a
descontaminação ambiental na base das Lajes, onde os EUA têm uma base
militar.O ministro referiu que esta era a informação do LNEC em setembro deste ano. Quanto
à contaminação dos solos, a Força Aérea norte-americana e o LNEC
identificaram 41 locais para análise, tendo sido referenciados quatro
sítios contaminados. "Dois
deles foram, entretanto, retirados da lista das nossas preocupações
conjuntas, porque as intervenções das autoridades norte-americanas
entretanto realizadas permitiram resolver o problema identificado, de
acordo com a Força Aérea norte-americana e o LNEC. Há dois locais que
suscitam ainda grande preocupação", explicou.