Governo recomenda aumento de tarifas da água em concelhos mais afetados
Seca
25 de ago. de 2022, 08:48
— Lusa/AO Online
A medida foi hoje anunciada pelo ministro do
Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, numa conferência de imprensa
após uma reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e
Acompanhamento dos Efeitos da Seca (CPPMAES).Depois
da reunião, a 11.ª deste ano para debater a situação de seca no
continente e medidas para minimizar os efeitos, os ministros da
Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, e do Ambiente e da
Ação Climática, Duarte Cordeiro, anunciaram mais 11 medidas, a juntar a
outras 82 que já tinham sido tomadas em reuniões anteriores.O
aumento da tarifa, explicou Duarte Cordeiro, deve dirigir-se a
consumidores de mais de 15 metros cúbicos de água, sendo que o consumo
médio de uma família é de cerca de 10 metros cúbicos.Duarte
Cordeiro explicou que o aumento da tarifa se destina aos 43 municípios
com menos água, adiantando que “nada impede que outros” concelhos o
façam. “Recomendaria essa medida para qualquer município do país”,
disse.Para os 43 concelhos em situação
mais crítica, o Governo, acrescentou Duarte Cordeiro, vai também
recomendar restrições no uso da água como a suspensão temporária de
lavagem de ruas ou da rega de espaços verdes ou do abastecimento de
fontes decorativas, e prevê também um “regime sancionatório para
penalizar usos indevidos de água”.Segundo a
lista de concelhos, 40 ficam a norte e centro do país e três no
Algarve. São concelhos que têm uma capacidade de água que dá para menos
de um ano.Em relação às albufeiras com
menos de 20% da sua capacidade, disse o ministro, vai haver uma
monitorização mais apertada e vão ser revistos os vários usos da água
(títulos de utilização) dessas albufeiras.Vai
também procurar-se, acrescentou, alargar a utilização do volume morto
dessas albufeiras, e o Governo vai dar também “atenção especial” à
proteção de massas de água em zonas de incêndio.Ainda
em relação aos concelhos com menos água o ministro disse que vão ser
instaladas torneiras redutoras nos edifícios públicos, com o apoio do
Fundo Ambiental, e serão tomadas medidas na área da contabilização da
água, para que não haja “volumes de água perdidos ou não considerados
para faturação”.O Governo recomenda também
que nesses concelhos a rega se faça durante a noite, e que o setor
industrial tenha projetos de eficiência no uso da água.“O
país, como um todo, preserva a capacidade de abastecimento público por
mais dois anos”, salientou o ministro, frisando que o Governo está
disponível para discutir para as regiões com mais falta de água soluções
estruturais, além das medidas pontuais agora anunciadas, “para reforçar
a resiliência dos territórios”.Maria do
Céu Antunes disse aos jornalistas que a próxima reunião da CPPMAES se
realiza dentro de um mês e lembrou que o país sofre uma “situação
difícil” de seca, a “mais grave do século”, e que “os dados não são
animadores”.Ainda assim, referiu a
ministra, dos 44 aproveitamentos hidroagrícolas na maioria (37) foi
possível a rega e o abeberamento animal, e nas outras sete albufeiras
houve “algumas restrições”.Atualmente,
disse, há 49 albufeiras com água a menos de 40% e quatro abaixo de 20%
da capacidade, nas quais o Governo recomenda que a rega se faça durante a
noite.A seca prolongada no continente
está a afetar as culturas, levou a cortes no uso da água e obrigou
aldeias a serem abastecidas com autotanques.Desde
outubro do ano passado até agosto choveu praticamente metade do que
seria o normal, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera
(IPMA). O IPMA colocava no final de julho
55,2% do continente em situação de seca severa e 44,8 em situação de
seca extrema. Não havia nenhum local continental que estivesse em
situação normal, ou em seca fraca ou mesmo em seca moderada.