Governo quer valorizar potencial do café na Região
30 de nov. de 2023, 01:00
— Rafael Dutra/Nuno Martins Neves
O Governo Regional, a Delta Cafés e a Associação dos Produtores Açorianos de Café (APAC) assinaram ontem um protocolo de cooperação, com a duração de oito anos, para a experimentação de novas variedades, com o intuito de reforçar o desenvolvimento da produção de café na Região e valorizar o seu potencial.Este protocolo dá continuidade a uma parceria desde 2019 entre as três entidades, e “refletiu um investimento na formação e qualificação dos cafeicultores dos Açores”, no âmbito de “perceber o melhor tipo de café adequado ao clima açoriano, e que culminou num estudo entregue no ano passado”, refere Rui Miguel Nabeiro, CEO da Delta, na ocasião.O CEO da Delta afirmou ainda que com este protocolo de oito anos, dividido em sete fases, está a ser dado “mais um passo importante na história” da produção de café nos Açores. E, garante que se mantém o compromisso da Delta na manutenção e reforço do “apoio contínuo à comunidade de produtores de café”, tal como na contribuição para a “criação de valor social, ambiental e económico”.Vai ser ainda dada continuidade ao estudo entregue no ano passado, iniciando a fase de experimentação na Região.“Vamos desenvolver experimentação de novas variedades de café na Região, agregando valor à produção local”, realça, acrescentando que vai ser criado “um grupo estratégico de projetos que será fundamental na coordenação dos vários trabalhos no terreno”.Por seu lado, o presidente da APAC, Luís Espínola, relembra que na Região até à data apenas são utilizadas duas variedades de café, que apesar de “estarem bem adaptadas aos nossos solos vulcânicos”, há outras condicionantes como os ventos intensos, a temperatura e a humidade, o que acaba por trazer “alguns desafios à nossa rentabilidade”.Por esta razão, Luís Espínola quer com este estudo, e a experimentação que ocorrerá, saber quais as “melhores variedades [de café] para a nossa região”, tendo o objetivo de “otimizar a produção, sem nunca perder a singularidade do nosso produto e a qualidade que o nosso café tem”.Já José Manuel Bolieiro enalteceu o “pioneirismo” dos produtores açorianos, a “capacidade produtiva“ e a “coragem”, de todos envolvidos no início deste processo, que não ficou indiferente às três entidades.O presidente do Governo Regional afirmou ainda que a valorização do café açoriano não será feito através de quantidade, mas sim com base na vocação estratégica da “qualidade, distinção, diferenciação e o valor acrescentando”.Neste sentido, Bolieiro reforça a importância do campo de experimentação em relação ao presente e futuro da produção de café, referindo que os Açores podem ser laboratórios de futuro.“O desenvolvimento do presente e do futuro na estratégia dos Açores é com base na inovação, mas uma inovação resultante de investigação, de conhecimento, de novas tecnologias e da nossa condição laboratorial, pela dimensão que temos. E, a oportunidade de podermos ser laboratórios de futuro em várias áreas nos Açores, em cada uma das nossas ilhas e em todos os segmentos da capacidade produtiva”, salienta o líder do governo regional.Recorde-se que a Delta Açores lançou o Impossible Coffee, o primeiro café totalmente português, café dos Açores, a 8 de outubro deste ano.A Região conta ainda com pequenas produções de café, que inclusive estiveram exibidas na assinatura do protocolo, como o Coffee Cabana, da Terceira, o café da Fajã dos Vimes, de São Jorge, e o café Rifte das Flores. Para Luís Espínola, presidente da associação que conta com mais de 70 associados em oito ilhas açorianas, é nestas marcas de café, e noutras que irão surgir “que está o presente e futuro da atividade económica do café nos Açores”, ressalva.