Governo quer rever modelo de subsídio social de mobilidade para as ilhas e evitar fraudes
28 de mai. de 2024, 17:16
— Lusa/AO Online
O
anúncio foi feito na tarde desta terça-feira pelo ministro da Habitação e das
Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que foi ouvido no parlamento pela
Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, a
requerimento do PS.“Vai ser criado um
grupo de trabalho para analisar e rever o modelo de subsídio, sempre
dentro dos princípios de justiça social que levaram à sua criação”,
afirmou o governante, comprometendo-se a apresentar um relatório com as
conclusões até 15 de setembro.O grupo de
trabalho terá representantes do Ministério das Finanças, Ministério das
Infraestruturas, Governos Regionais dos Açores e da Madeira, Agência
Nacional de Aviação Civil (ANAC), Inspeção-Geral de Finanças (IGF) e
Direção Geral do Tesouro e das Finanças.Esta
audição surge depois de, a 11 de abril, o Ministério Público ter
deduzido acusação contra 60 arguidos num caso envolvendo crimes de burla
qualificada e falsificação de documentos relacionados com o subsídio
social de mobilidade dos Açores, que terão lesado o Estado em mais de
318 mil euros.“Quero deixar bem claro que
este Governo condena sem reservas qualquer comportamento ilícito. Não só
o Estado é lesado com a utilização fraudulenta do subsídio. Os
primeiros lesados são os próprios contribuintes portugueses. Vamos agir
com celeridade para aperfeiçoar o modelo existente”, apontou.Em
termos de números, Miguel Pinto Luz avançou que, em 2023, o subsídio
social de mobilidade abrangeu 140 mil viagens a partir da região
Autónoma da Madeira e 203 mil dos Açores.“O
subsídio social de mobilidade é, ninguém hoje o nega, um importante
marco para a coesão social. Serve para aproximar as diversas parcelas do
território nacional, superando contingências históricas e
condicionalismos geográficos”, sublinhou.Relativamente
ao atual modelo, que reconheceu precisar de ser “aperfeiçoado”, Miguel
Pinto Luz indicou que existem “muitas discrepâncias nos preços
praticados pelos agentes de viagem e companhias” e “dificuldades no
processo de reembolso, com reclamações compreensíveis dos utentes”.“Sublinho
sem reservas de qualquer espécie que é totalmente inaceitável ver
madeirenses e açorianos com dificuldades no acesso ao reembolso do
subsídio”, afirmou.Além da criação do
grupo de trabalho, o Governo irá propor uma limitação à taxa de emissão
de bilhete em 35 euros, exigindo a fatura à companhia aérea e a
limitação do custo total elegível máximo.No caso da Madeira, o limite será de 400 euros e, nos Açores, de 600 euros, segundo indicou Miguel Pinto Luz.Nas
intervenções dos deputados, o PS, através do deputado Francisco César,
questionou o ministro das Infraestruturas sobre a disponibilidade do
Governo para descentralizar este processo para os governos regionais,
manifestando “disponibilidade para dialogar” e encontrar “outras
soluções”.Já o Bloco de Esquerda (BE) e o
Livre defenderam que o novo modelo que venha a ser implementado deve
alterar a lógica do reembolso e permitir que se possa adquirir o bilhete
pelo valor máximo.“Aqui mesmo ao lado,
nas Canárias (Espanha), nas viagens que são feitas para a península, as
pessoas pagam já o montante máximo e as companhias aéreas tem um sistema
de vendas que está adaptado a isso. Portanto, não é necessário inventar
a roda”, argumentou a deputada Marisa Matias (BE).Na
resposta, Miguel Pinto Luz referiu que “até agora as companhias aéreas
se têm colocado de fora” nessa matéria, mas manifestou abertura para a
reversão do atual modelo, em função das conclusões do grupo de trabalho.O Governante estimou que o novo modelo para o subsídio social de mobilidade possa ser implementado até ao final do ano.O
subsídio de mobilidade permite aos residentes nos Açores deslocarem-se
para o continente a uma tarifa aérea máxima de 134 euros, sendo que todo
o valor acima desta meta é reembolsado pelo Estado.Na
Madeira, os residentes pagam 86 euros nas ligações ida e volta para o
território continental e 119 para os Açores, valor que pode ser
acrescido se exceder o teto máximo de 400 euros, sendo de 65 euros para
os estudantes.Os estudantes têm também a
possibilidade de pagar apenas os 65 euros no ato da compra da passagem
se o fizerem numa agência de viagens. Já os restantes residentes têm de
pagar a viagem e só no fim podem ser reembolsados.