Governo quer prioridade para docentes que concorram a ilhas “carenciadas” por 5 anos
24 de jul. de 2025, 15:00
— Carolina Moreira
O Governo Regional anunciou ontem que pretende dar prioridade, em todos
os concursos do pessoal docente, aos professores que se mostrem
disponíveis para lecionar, pelo período de cinco anos, em ilhas e
escolas onde existe maior carência destes profissionais.No final
das negociações com os sindicatos sobre a proposta de alteração do
Regulamento de Concurso do Pessoal Docente da Educação Pré-Escolar e
Ensinos Básico e Secundário, a secretária regional da Educação, Cultura e
Desporto explicou que “deve ser dada prioridade na colocação - quer no
concurso interno quer no concurso externo e quer na contratação - aos
professores que pretendam lecionar nas escolas, ilhas e grupos de
recrutamento que sejam definidos como carenciados por portaria anual
definida pelo Governo Regional”.Em declarações ao Açoriano Oriental
(AO), Sofia Ribeiro destacou que esta medida surge em linha com o
sistema de incentivos anunciado este ano para professores que consigam
colocação em ilhas e grupos de recrutamento que são carenciados, mas
realça que não existe obrigatoriedade na candidatura.“Os professores não são obrigados a concorrer a essa prioridade de cinco anos”, constatou ao jornal.Contudo,
tanto o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA) como o
Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) revelaram estar contra
esta alteração ao regulamento do concurso.Do lado do SPRA, António
Lucas considerou mesmo que “a modalidade de concursos por cinco anos não
é minimamente atrativa e, provavelmente, não vai ter candidatos”.Outras
das medidas propostas pelo Governo Regional passa pela definição de
novos critérios para a mobilidade anual dos docentes, segundo a qual os
professores colocados em quadro de escola ou de ilha “devem permanecer
durante, pelo menos, o primeiro ano na respetiva colocação”.Os
sindicatos também se opuseram a esta medida, considerando António
Fidalgo do SDPA que se trata de “uma limitação” aos professores.Por
outro lado, Sofia Ribeiro salientou ao AO que existiu convergência com
os sindicatos em medidas como “a criação de vagas em quadro de ilha nas
situações em que os professores têm três anos completos e ininterruptos
de contratação”. “Isso obviamente dá mais estabilidade aos
professores contratados e constitui um fortíssimo incentivo a que estes
concorram para todas as ilhas para horário anuais e completos”,
considerou.Outra das alterações apresentadas, e que também reuniu
consenso junto dos representantes dos docentes, foi a implementação de
regras “mais rigorosas” na mobilidade por condições específicas,
nomeadamente a introdução de “uma nova condição para que um docente do
quadro possa aceder à mobilidade por um ano por motivos de doença,
gravidez, parentalidade ou assistência a familiares quando a escola de
provimento fique a mais de 20 quilómetros do local da assistência ou se
trate de uma ilha diferente da que está colocado”.No final da
reunião, António Lucas do SPRA disse sair “mais satisfeito do que da
última reunião”, já que antes estava em cima da mesa a “criação de um
quadro regional que, na nossa opinião, trazia uma instabilidade pessoal e
profissional, uma vez que anualmente poderiam ficar em ilhas
diferentes”.“Portanto, houve um recuo por parte da tutela relativamente a essa matéria”, ressalvou com satisfação.Já
António Fidalgo do SDPA disse ao jornal que, “depois de longas
negociações de vários meses, concluímos esta fase com alguns avanços,
mas não os suficientes e aqueles que nós queríamos atingir neste
momento”.O sindicato congratula-se com os avanços no “combate à
precariedade dos docentes”, mas considera que “ficaram por acordar
outras áreas onde achamos que devíamos ser mais ambiciosos, nomeadamente
quanto à estabilidade do corpo docente, a defesa dos quadros de escola e
criar um regulamento que pudesse fixar e atrair docentes”.“Nesta
fase, não foi possível ainda chegarmos a um acordo e esperamos por uma
próxima oportunidade para melhorar este documento”, salientou.Terminada
esta fase de negociação, o documento será agora discutido em Conselho
de Governo para depois ser levado “com urgência” ao parlamento regional.Segundo
Sofia Ribeiro, o objetivo do Governo é aprovar estas alterações
legislativas “a tempo de já poderem ser aplicadas nos concursos de
2026”.