Governo quer limitar redes de emalhar e armadilhas nas pescas
25 de ago. de 2020, 18:33
— Lusa/AO online
"Nesta altura, verifica-se ainda
um excesso de redes de emalhar nalgumas ilhas, o que tem implicações na
conservação dos recursos mais costeiros, sendo que atualmente existem
no total, na região, 61 embarcações licenciadas para operar com redes de
emalhar e 42 embarcações que utilizam armadilhas", explicou o
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, em
conferência de imprensa, na Horta.A
intenção do executivo socialista é atribuir apoios aos armadores que
atualmente utilizam estas artes de pesca, que podem variar entre os 10 e
os 20 mil euros por profissional, para que deixem de recorrer a ambas
as práticas.A par desta medida – que,
segundo o governante, já foi devidamente consensualizada com a Federação
de Pescas dos Açores -, o governo pretende reforçar os apoios à
cessação definitiva da atividade da pesca na região, ou seja, ao
abandono da atividade."Com esta medida, o
Governo dos Açores pretende, mais uma vez, não só reduzir o esforço de
pesca da frota regional e assegurar uma melhor gestão dos recursos, mas
também garantir uma melhor distribuição dos rendimentos pelos
profissionais do setor", destacou Gui Menezes.As
candidaturas às duas medidas estarão abertas entre 01 de setembro e 15
de outubro e representam um investimento de 1,2 milhões de euros.O
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia lembrou que os apoios
concedidos à classe piscatória este ano, devido à pandemia da covid-19,
atingem quase cinco milhões de euros."Desde
o início da pandemia, o Governo dos Açores disponibilizou apoios ao
setor que ascendem a 2,1 milhões de euros. Se a isto acrescermos os
valores da antecipação dos pagamentos das ajudas no âmbito do [programa
de fundos comunitários] POSEI Pescas, no valor de 2,7 milhões de euros,
os apoios totais ascendem a 4,8 milhões de euros", descreveu.Gui
Menezes destacou, por outro lado, o facto de a atividade da pesca nos
Açores ter voltado a ganhar algum fôlego nos últimos meses,
verificando-se mesmo um aumento no rendimento do setor, comparativamente
a 2019, sobretudo à custa da pesca do atum."Felizmente,
este está a ser um ano razoável para a safra de atum, o que se reflete
nestes números. Desde janeiro, foram capturadas 2.300 toneladas, que
representam 4,4 milhões de euros", sublinhou.