Governo quer encontrar soluções para minimizar impacto de cheias no Baixo Mondego
23 de dez. de 2019, 17:21
— Lusa/AO Online
"Temos que olhar para o sistema [de regadio]
montado e que protege esta população e os campos agrícolas para tentar
encontrar soluções que minimizem os impactos de situações de cheia como
esta e, com base nisso, não comprometamos a economia do Baixo do
Mondego", disse Maria do Céu Albuquerque, que falava após uma visita a
Montemor-o-Velho, concelho afetado pelas cheias do Mondego.Em
declarações aos jornalistas, a ministra admitiu a possibilidade de um
trabalho em articulação com o Ministério do Ambiente para se poderem
fazer investimentos no sistema hidroagrícola do Baixo Mondego, por forma
a mitigar o efeito das cheias."Estas
situações vão ser cada vez mais frequentes. Este é um efeito claro das
alterações climáticas, em que secas severas dão lugar a situações como
esta de forte precipitação em que os terrenos não são capazes de fazer a
absorção da água", sublinhou.Nesse
sentido, referiu, é necessário "estudar formas de viabilizar este
território e a atividade agrícola que aqui é tão importante".Apesar
de ainda se desconhecer quais as infraestruturas do sistema
hidroagrícola do Baixo Mondego que foram afetadas pelas cheias, Maria do
Céu Albuquerque referiu que ainda há disponibilidade do Programa
Nacional de Regadio (com dotação orçamental de 560 milhões de euros)
para abrir um terceiro aviso, podendo ser mobilizados alguns recursos
financeiros desse programa para a zona do Baixo Mondego.Relativamente
aos apoios aos agricultores afetados pelas cheias na região, a ministra
referiu que ainda é prematuro falar de ajuda financeira, sendo
necessário primeiro fazer um levantamento exaustivo dos prejuízos, assim
que as condições no terreno o permitirem."O
PDR 2020 tem mecanismos que podem ser disponibilizados se os prejuízos
forem superiores a 30% nesta área. Esse e outros mecanismos podem ser
acionados caso se justifique", acrescentou.Questionada
sobre o alerta deixado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA)
sobre os "prejuízos sérios" nos pastos, a ministra referiu que ainda não
se consegue perceber o impacto das cheias sobre as pastagens e que
também ainda não chegou qualquer informação sobre essa situação ao
Ministério da Agricultura ou à Direção Regional de Agricultura e Pescas
do Centro.