Governo quer aumentar tempo de detenção de imigrantes ilegais até serem expulsos do país
Hoje 17:33
— Lusa/AO Online
Uma nota
explicativa sobre a proposta de lei do governo, que segue agora para a
Assembleia da República, indica que os prazos de detenção de
estrangeiros nos centros de instalação temporária (CIT) e espaços
equiparados para efeitos de afastamento do país foram alargados dos
atuais 60 para 360 dias.Além desse prazo
máximo de detenção para efeitos de decisão de afastamento (360 dias), a
proposta de lei prevê ainda um outro prazo de 180 dias para detenção em
CIT "para a garantir o cumprimento da decisão de afastamento coercivo”,
refere a nota, dando conta que a proposta prevê a introdução de novas
medidas de coação alternativas à detenção, como o depósito de caução ou
garantia financeira, obrigação de entrega de documentos de viagem e
instalação em regime aberto em centros de instalação temporária.O
Governo quer igualmente acabar com a notificação para abandono
voluntário, explicando que este mecanismo “era uma etapa processual
obrigatória antes do afastamento coercivo e aplicava-se a qualquer
situação, mesmo para aqueles cidadãos que fossem detetados em situação
de permanência ilegal em Portugal”.Com
estas alterações passa a existir um dever de abandono que recai sobre o
cidadão, em vez de uma obrigação de notificação pelas autoridades.Em
alternativa, o executivo quer privilegiar programas de retorno
voluntário, “garantindo menor onerosidade e encargos ao Estado", segundo
a nota.A proposta do Governo estabelece
também um alargamento para cinco anos do prazo de interdição de entrada
em Portugal para os estrangeiros que sejam afastados coercivamente,
podendo ser alargado em situações agravadas.Redução
da possibilidade de recursos judiciais, impedir que o recurso à figura
de asilo, para obter estatuto de refugiado, seja expediente dilatório
para atrasar ou impedir o afastamento e revisão dos critérios que
impendem a expulsão são outras medidas que constam da proposta do
Governo que visa “acelerar o afastamento de estrangeiros encontrados e
identificados em situação irregular” no país.As
alterações ao regime de retorno de cidadãos estrangeiros em situação
ilegal foram aprovadas hoje em Conselho de Ministros depois de a
proposta ter estado em consulta pública.