Governo propõe reduzir distância que permite que professores doentes mudem de escola
17 de jan. de 2025, 12:49
— Lusa/AO Online
A proposta está a
ser apresentada às organizações sindicais que representam os professores
na primeira reunião de negociações sobre o Estatuto da Carreira
Docente, dedicada ao regime de mobilidade por doença, o primeiro tema na
lista de prioridades do Governo.De acordo
com o documento, a que a Lusa teve acesso, o MECI propõe reduzir “de 20
para 15 quilómetros a distância mínima entre o agrupamento de escolas
de colocação e a sede do concelho de agrupamento de escolas de
provimento como condição da mobilidade dos docentes”.“Parece-nos
que, ainda assim, é insuficiente”, considerou Daniel Martins, da
direção do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop), em
declarações aos jornalistas no final da reunião, sublinhando que, muitas
vezes, em função do trânsito e da condição das escolas, os professores
chegam à escola já sem condições de trabalhar, independentemente da
distância.Atualmente, podem solicitar a
mobilidade por doença os professores colocados a mais de 20 quilómetros,
em linha reta, em relação à morada de residência ou do prestador de
cuidados de saúde, mas a sua colocação depende da capacidade de
acolhimento definida pelas escolas e os docentes devem manter, pelo
menos, seis horas de componente letiva.Além
do critério da distância, também a limitação da mobilidade à capacidade
de acolhimento das escolas tem sido muito contestada pelos sindicatos
de professores, que consideram que torna aquele regime numa espécie de
concurso.“A mobilidade por doença é um
direito e não deve estar sujeita a um concurso”, defendeu o dirigente do
Stop, que afirmou que a proposta apresentada não esclarece qual a
intenção do Governo quanto a esta matéria, uma vez que refere que a
capacidade de acolhimento das escolas passa a ser definida pela
Direção-Geral da Administração Escolar.Por
outro lado, o Governo pretende assegurar “a livre mobilidade dos
docentes de carreira com incapacidade para o exercício de funções
docentes, tendo em conta também a organização das escolas”.As
regras atualmente em vigor, muito contestadas pelos professores, foram
aprovadas pelo anterior Governo em 2022 e deveriam ter sido revistas em
2024, mas depois de reunir com as organizações sindicais em junho, o
MECI decidiu adiar essas negociações por considerar que a falta de
consenso entre a tutela e sindicatos justificava uma revisão mais
profunda.O novo regime deverá entrar em
vigor já no próximo ano letivo, seguindo-se depois a discussão, sem
calendário definido, do recrutamento, ingresso na carreira, formação e
desenvolvimento profissional, condições de trabalho, revisão da carreira
não revista, e modelo de avaliação de desempenho docente.