Governo propõe mudar regras para se ser professor sem reduzir exigência
25 de set. de 2024, 15:55
— Lusa/AO Online
“[O objetivo é]
daqui a cinco anos termos muito mais professores a entrar nas nossas
escolas e garantir que todos os alunos têm todas as aulas”, explicou o
secretário de Estado da Administração e Inovação Educativa, Pedro Cunha,
no final da primeira ronda negocial para alterar o atual regime
jurídico da habilitação profissional para a docência.Sublinhando
que “não é qualquer pessoa que ensina”, o secretário de Estado garantiu
que as alterações não irão diminuir os requisitos para se ser
professor, mas pretendem “eliminar os obstáculos” que impedem que haja
mais aspirantes a professores a entrar nas licenciaturas e mestrados.O
atual diploma impede, por exemplo, os professores estrangeiros de
obterem equivalência para dar aulas em Portugal, contou o governante,
explicando que a tutela quer fazer uma pequena alteração para que estes
docentes, que “têm qualificações para dar aulas”, o possam fazer.Pedro
Cunha deu um exemplo concreto: “O ensino básico no Brasil não se chama
ensino básico” e por isso os professores brasileiros que têm “formação
necessária e qualificada” não podem dar aulas em Portugal porque a
designação é diferente.Outra mudança
proposta, desta vez para aumentar a qualidade do ensino, está
relacionada com os estágios dos alunos de mestrado: Atualmente os alunos
no último ano de mestrado podem ser titulares de turma sozinhos e a
tutela quer agora que sejam acompanhados por um orientador e que estejam
apenas “70% do tempo de estágio seja em sala de aula em autonomia”.Por
outro lado, em vez de serem pagos como se estivessem no 1.º escalão da
carreira docente, os estagiários recebem uma bolsa, cujo valor ainda
será negociado com os sindicatos.A tutela
também quer acabar com a contabilização do tempo de estágio para efeitos
de tempo de serviço, uma vez que "uma coisa é formação e outra coisa é
iniciar uma carreira de professor”, defendeu o secretário de Estado.Também
estão previstas alterações às condições dadas aos orientadores dos
estágios, que poderão continuar a ter redução de horário ou, em
alternativa, ter um acréscimo de remuneração.Segundo
Júlia Azevedo, do Sindicato Independente de Professores e Educadores
(SIPE), quem decidirá entre menos horas de aulas ou um acréscimo
salarial serão os agrupamentos de escolas e não os próprios professores,
uma opção que não agrada o SIPE.Pedro
Cunha anunciou ainda a abertura de mais cursos de formação
de professores, lembrando que, “nos últimos dois anos, não houve
acreditação de novos cursos”, porque “havia muitas dúvidas e
resistências à implementação deste diploma”.A
ideia é que, já no próximo ano letivo, as instituições de ensino
superior possam ver acreditadas as suas novas formações, porque há um
ligeiro aumento de procura destes cursos.“Já
estamos a preparar o próximo ano letivo e a trabalhar para dar às
universidades informação para preparar um aumento substantivo de vagas”,
revelou.Esta primeira ronda negocial para
alterar o atual diploma visa ser mais uma peça no combate à falta de
professores, tendo por base a ideia de “conseguir incrementar a formação
e dar a qualidade que merece”, defendeu o secretário de estado.Os sindicatos foram unânimes em considerar que as alterações apresentadas “são cirúrgicas”, nas palavras de Júlia Azevedo.Também
Feliciano Costa, da Fenprof, disse que o documento não faz alterações
estruturais, ficando “muito aquém das medidas necessárias” para tornar a
profissão mais atrativa e assim combater a falta de docentes nas
escolas.Manuel Teodósio, da Federação
Nacional da Educação (FNE), reconheceu que a proposta tinha “aspetos
bastante positivos”, mas defendeu que o objetivo de “triplicar o número
de professores em formação até 2025 ainda será insuficiente para
colmatar os que saem todos os anos”.Sindicatos
e tutela voltam a reunir-se em 3 de outubro para mais uma ronda
negocial sobre o atual regime jurídico da habilitação profissional para a
docência.