Governo propõe estender aumento anual de 60,52 euros até 2029 na função pública
26 de set. de 2025, 15:26
— Lusa/AO Online
“Nós
dissemos que isto era insuficiente, o cabaz dos bens de primeira
necessidade subiu 17% e é importante que as pessoas, já que também não
tiveram aumento do subsídio de refeição este ano, se sintam minimamente
compensadas por isso”, defendeu José Abraão, em declarações aos
jornalistas no final da primeira reunião com a secretária de Estado da
Administração Pública, Marisa Garrido, no Ministério das Finanças, em
Lisboa, para dar início ao processo negocial geral da Lei Geral do
Trabalho em Funções Públicas.O dirigente
da Fesap garantiu que vai procurar melhorar esta proposta, seja através
de suplementos, aumento do subsídio de refeição, que o Governo não
abordou nesta primeira reunião, ou das ajudas de custo, que considerou
“ridículas” atualmente.Em novembro de
2024, o Governo assinou com duas das estruturas sindicais da função
pública (a Fesap e Frente Sindical) um novo acordo plurianual de
valorização dos trabalhadores da Administração Pública.O
acordo prevê aumentos de, pelo menos, 56,58 euros para vencimentos
brutos mensais de até 2.631,62 euros e um mínimo de 2,15% para ordenados
superiores em 2026. Segundo o dirigente
da Fesap o Governo propôs manter para 2026 o aumento previsto de 56,58
euros e aumentar 60,52 euros em 2027, 2028 e agora 2029, para
vencimentos brutos mensais de até 2.631,62 euros e um mínimo de 2,3%
para ordenados superiores.José Abraão
realçou ainda outras matérias que considera abordar neste processo
negocial, que terá a próxima reunião no dia 03 ou 07 de outubro, entre
elas a recalendarização da revisão de carreiras como as da Polícia
Municipal, trabalhadores dos museus, da meteorologia geofísica e “tantos
outros que já constam do acordo”.O
Governo vai propor nas reuniões de hoje com as três federações sindicais
da Administração Pública uma extensão do acordo de valorização em
vigor, de modo a cobrir a atual legislatura, isto é, até 2029. A
Fesap foi a primeira a ser recebida, pelas 09:00, seguindo-se a Frente
Sindical, liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE),
pelas 10:30, e a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em
Funções Públicas e Sociais (Frente Comum), pelas 12:O0.Tanto
a Fesap como a Frente Sindical, ambas afetas à UGT, já se manifestaram
disponíveis para rever o acordo existente de modo a cobrir toda a
legislatura.Já o secretário-geral da
Frente Comum, Sebastião Santana, disse, na quinta-feira, que não
assinava um acordo como os “que foram assinados no ano passado com a
UGT”, acrescentando que o do ano passado é “um acordo de
empobrecimento”.“Assinaremos um acordo com
toda a certeza que valorize o trabalho dos trabalhadores e que comece a
recuperar o poder de compra”, disse. Atualmente,
o salário mínimo nacional é 870 euros e a base remuneratória da
Administração Pública (vulgarmente conhecida por salário mínimo do
Estado) é de 878,41 euros. Para 2027 e 2028, o acordo assinado em 2024 estabelece um aumento de, pelo menos, 60,52 euros ou um mínimo de 2,3%.A
Frente Sindical, liderada pelo STE, reivindica um aumento salarial de
6,4% para todos os funcionários públicos em 2026 e uma atualização do
subsídio de refeição para 12 euros. Já a
Fesap propõe que a remuneração base na função pública suba para 973,41
euros em 2026 e uma atualização mínima de 95 euros para todos os
trabalhadores, além do aumento do subsídio de alimentação para 10 euros
por dia, isento de impostos. Por sua vez, a
Frente Comum que exige um aumento salarial de 15% num mínimo de 150
euros, a partir de 01 de janeiro, bem como a atualização do subsídio de
alimentação para 12 euros.