Governo propõe aumento salarial de 917,10 euros para médicos especialistas de hospitais
8 de set. de 2023, 08:24
— Lusa/AO Online
Sindicatos
e Ministério da Saúde estiveram reunidos numa nova ronda negocial
extraordinária, com os sindicatos a manterem as greves agendadas para
setembro e novembro por falta de acordo sobre matérias como a nova
grelha salarial e o novo regime de dedicação plena.De
acordo com a proposta final da tutela, cujos aumentos salariais foram
revistos e "são imediatos", a "remuneração de entrada" de um médico
especialista que trabalha num hospital passará de 2.863,21 euros/mês
para 3.780,31 euros/mês. Os médicos em dedicação plena terão um horário de 35 horas semanais, a que acrescem cinco horas, e um aumento salarial de 33%.Segundo
a proposta, os médicos que não querem aderir a este regime terão "um
ajustamento salarial" de 6,3% (horário de 35 horas semanais), 3,6%
(horário de 40 horas semanais) e 2,7% (42 horas semanais em dedicação
exclusiva).A dedicação plena será o
"regime normal de trabalho" nos hospitais aplicável a todos os médicos
que integram os Centros de Responsabilidade Integrados e que ocupam
cargos de chefia. Para os restantes, a adesão é voluntária.Para
os médicos internos, que estão em formação para obtenção da
especialidade, a tutela propõe aumentos salariais de 3% (internos de
formação geral), 4,75% (médicos dos três primeiros anos de formação
específica) e de 9,8% (médicos a partir do quarto ano de especialidade).Nos
cuidados de saúde primários, prestados nos centros de saúde, a
dedicação plena aplica-se a todos os médicos integrados nas chamadas
Unidades de Saúde Familiar (USF), segundo a proposta do Ministério da
Saúde, que assinala que "todas as USF terão um regime de remuneração
associado ao desempenho", que inclui salário base, suplementos e
incentivos ao desempenho.A proposta final
da tutela acaba com as quotas que existiam para a passagem das USF
modelo A e das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) para
as USF modelo B.As USF modelo A e as UCSP
que se candidataram a USF modelo B podem fazer essa transição com a
remuneração dos médicos a ser associada ao desempenho e a ter um aumento
superior a 60%. De acordo com a proposta
do Ministério da Saúde, os médicos das atuais USF modelo B terão um
aumento de 12,7% no salário base, ao qual acrescem os suplementos e o
montante associado ao desempenho. O suplemento atribuído pelo
alargamento da lista de utentes "permitirá proporcionar acesso a médico
de família a mais 250 mil portugueses".Os
médicos que "não possam integrar no imediato uma USF modelo B poderão
aderir individualmente ao regime de dedicação plena com acréscimo
remuneratório de 33%, indexado ao alargamento da lista de utentes",
segundo a proposta.O Ministério da Saúde
salienta que todos os aumentos salariais propostos somam, a partir de
janeiro, às valorizações remuneratórias (de pelo menos 2% anuais até
2026) que "são transversais à Administração Pública", nos termos do
Acordo Plurianual de Valorização dos Trabalhadores da Administração
Pública.As negociações entre sindicatos dos médicos e Governo iniciaram-se em 2022, mas não tem havido consenso.Uma nova reunião negocial extraordinária, a última, foi marcada para terça-feira.