Governo promete nova negociação com professores mas lamenta que veto impeça recuperação parcial
27 de dez. de 2018, 08:41
— Lusa/AO Online
“O Governo lamenta
o facto de os educadores e os professores dos ensinos básico e
secundário não poderem ver contabilizados já a partir de 01 de janeiro
de 2019 os dois anos, nove meses e 18 dias”, previstos no decreto-lei
hoje vetado pelo Presidente da República, lê-se num comunicado do
gabinete do primeiro-ministro, António Costa. No
comunicado, o executivo refere ainda que vai esperar a “entrada em
vigor do Orçamento do Estado para 2019 para iniciar um novo processo
negocial com as estruturas sindicais” dos professores, que têm vindo a
exigir que sejam contabilizados os nove anos, quatro meses e dois dias
que as carreiras estiveram congeladas. Na
nota, o gabinete de António Costa recorda que o decreto-lei "resultou
de mais de um ano de negociação entre o Governo e as estruturas
sindicais" e que, "ao longo de todo o processo negocial", "as estruturas
sindicais mantiveram a sua posição de intransigência, não aceitando
negociar nada que não fosse a recuperação integral de nove anos, quatro
meses e dois dias".Apesar
de esta solução, dos nove anos, quatro meses e dois dias, "ter sido
expressamente rejeitada pela Assembleia da República na votação na
especialidade do Orçamento do Estado para 2019", lê-se ainda no texto."Mesmo
sem o acordo das organizações sindicais, e sem que a recuperação do
tempo fizesse parte do Programa do Governo, no qual foi inscrito o
compromisso de descongelamento das carreiras, o Governo entendeu aprovar
o decreto-lei que permitiria aos docentes dos ensinos básico e
secundário cuja contagem do tempo de serviço esteve congelada entre 2011
e 2017, recuperar dois anos, nove meses e 18 dias a partir de 01 de
janeiro de 2019", lê-se ainda na nota. Para
o executivo de António Costa, esta é "uma solução sustentável do ponto
de vista orçamental e equitativa no quadro de uma visão integrada do
sistema de emprego público".O
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vetou hoje o diploma
do Governo que prevê a recuperação parcial do tempo de serviço dos
professores por entender que a norma incluída pelos partidos no
Orçamento do Estado para 2019 obriga a que o diploma “seja objeto de
processo negocial”.“A
Lei do Orçamento do Estado para 2019, que entra em vigor no dia 01 de
janeiro, prevê, no seu artigo 17.º, que a matéria constante do presente
diploma seja objeto de processo negocial sindical”, refere.“Assim
sendo, e porque anteriores passos negociais foram dados antes da
aludida entrada em vigor, remeto, sem promulgação, nos termos do artigo
136.º, n.º 4 da Constituição, o diploma do Governo que mitiga os efeitos
do congelamento ocorrido entre 2011 e 2017 na carreira docente, para
que seja dado efetivo cumprimento ao disposto no citado artigo 17.º, a
partir do próximo dia 01 de janeiro de 2019”, acrescenta Marcelo Rebelo
de Sousa. No
Orçamento do Estado para 2019, PSD, CDS-PP, BE, PCP e Os Verdes
entenderam-se para aprovar – com o voto contra do PS - um artigo que
força o Governo a retomar as negociações, mas não para incluir no
documento as propostas de BE e PCP que estipulavam uma calendarização
para a recuperação integral do tempo de serviço dos professores.O
Governo aprovou em 20 de dezembro, em Conselho de Ministros, o
decreto-lei que prevê a recuperação de dois anos, nove meses e 18 dias
de tempo congelado aos professores (em vez dos mais de nove anos
exigidos por esta classe profissional).A
aprovação do decreto-lei aconteceu dois dias após a última reunião
negocial entre as dez estruturas sindicais de professores e
representantes dos ministérios da Educação e das Finanças, que terminou
sem acordo.