Governo promete lançar rapidamente novas obrigações de serviço público para os Açores
15 de jul. de 2024, 15:23
— Lusa/AO Online
“Vamos
relançá-lo o mais rapidamente possível. O concurso ficou vazio.
Obviamente, isso tem de nos levar a uma reflexão sobre os termos do
próprio concurso. Repetir o mesmo seria insanidade. Temos de refletir
sobre as condições do concurso. Queremos fazê-lo o mais rapidamente
possível. É uma obrigação”, afirmou o secretário de Estado das
Infraestruturas aos jornalistas.Hugo
Espírito Santo, que falava em Ponta Delgada após uma reunião com o
Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), referia-se às rotas não
liberalizadas (Faial, Pico e Santa Maria) entre o continente e os
Açores, asseguradas, desde 2015, sem compensações financeiras, pela
companhia pública açoriana Azores Airlines/Sata Internacional.A
SATA foi a única a concorrer ao concurso público para assegurar a
operação, mas acabou excluída por reivindicar um valor superior ao preço
base.Hugo Espírito Santo disse ser
“difícil” compensar a SATA por realizar aquelas rotas sem concurso
público, tal como defende o Governo dos Açores, devido às regras da
União Europeia (UE). “Vamos ter de
avaliar. Parece-nos difícil neste momento. A UE tem regras muito
estritas sobre a definição das obrigações de serviço público e a
compensação destas obrigações de serviço público. Como tal, vamos ter de
nos cingir à regulamentação europeia”, declarou.O
secretário de Estado salientou a “importância de definir os critérios
das novas OSP” para que as “companhias aéreas possam vir a concurso”,
defendendo que “não faz sentido” uma transportadora efetuar rotas de
forma de deficitária.“Não faz sentido uma
companhia aérea estar a operar rotas de forma deficitária. Desse ponto
de vista, estamos totalmente alinhados [com o Governo Regional]. A única
questão é como é que conseguimos rapidamente dentro dos preceitos
legais resolver esse tema”, insistiu.A
secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas do Governo
dos Açores também reconheceu a importância de a SATA não desrespeitar as
regras comunitárias, uma vez que está sob um processo de reestruturação
aprovado pela Comissão Europeia.Berta
Cabral, insistiu, contudo, no “direito” que a companhia aérea açoriana
tem a ser “compensada”, notando a existência de um “conflito” entre duas
exigências comunitárias: a de não efetuar rotas deficitárias e não
receber ajudas de Estado ilegais.“É justo
que a SATA seja compensada por um serviço que está a prestar
gratuitamente, também nesse sentido não correspondendo àquilo que são as
exigências do plano de reestruturação de não ter rotas deficitárias”,
salientou a governante.Em junho de 2022, a
Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à
reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em
empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).