Governo prolonga até 15 de junho prazo para limpeza de terrenos florestais
Incêndios
29 de mai. de 2025, 17:12
— Lusa/AO Online
“Os trabalhos de gestão de
combustível na rede secundária de faixas de gestão de combustível podem
decorrer até 15 de junho de 2025”, lê-se num despacho conjunto dos
secretários de Estado da Proteção Civil, Paulo Simões Ribeiro, e das
Florestas, Rui Ladeira, publicado no Diário da República.O
despacho altera um anterior, de 16 de abril, que determinava que os
trabalhos de gestão de combustível na rede secundária de faixas de
gestão de combustível podiam decorrer até 31 de maio.A
decisão foi tomada após consulta à AGIF - Agência para a Gestão
Integrada de Fogos Rurais, Instituto da Conservação da Natureza e das
Florestas (ICNF), Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil
(ANEPC), Guarda Nacional Republicana, Instituto Português do Mar e da
Atmosfera e Infraestruturas de Portugal.“Verifica-se,
no entanto, que as condições meteorológicas dos últimos meses limitaram
os períodos disponíveis para a realização dos trabalhos de gestão de
combustível, criando, ainda, condições para uma maior produção primária
líquida dos ecossistemas, com a consequente maior acumulação de
combustível”, refere-se no despacho agora publicado.No
entanto, acrescentaram os governantes, “o perigo de incêndio rural
previsto até ao final do período inicialmente definido, 31 de maio,
condiciona, em grande parte do território nacional, a realização de
trabalhos e outras atividades de gestão de combustível”.Além
disso, “a prorrogação do prazo em análise está igualmente sujeita aos
condicionalismos determinados pelo Decreto-Lei 82/2021, de 13 de
outubro”, nos “concelhos em que se verifique um nível de perigo de
incêndio rural ‘muito elevado’ ou ‘máximo’”.O
executivo prolongou inicialmente o prazo até 31 de maio, segundo o
despacho, “considerando as condições meteorológicas que se têm
verificado, com persistência de precipitação e elevados teores de água
nos solos, o que limita os períodos disponíveis para a realização dos
trabalhos de gestão de combustível”.Por
outro lado, estavam “a decorrer ações de recuperação após a passagem das
tempestades que assolaram várias regiões do continente e que,
localmente, criaram grandes acumulações de combustível lenhoso
derrubado”, notaram também Paulo Simões Ribeiro e Rui Ladeira.A
gestão de faixas de combustível em terrenos florestais em redor de
edificações, infraestruturas e aglomerados, prevista na lei até 30 de
abril, visa prevenir fogos rurais, mas a Federação Nacional de
Associações de Proprietários Florestais (FNAPF) pediu ao Governo o
prolongamento de “mês e meio” no prazo, devido às condições
meteorológicas.Perante as dificuldades na
contratação de empresas para a limpeza, nomeadamente por escassez de
mão-de-obra e limitação de equipamentos, a FNAPF e a ANEFA - Associação
Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente consideram
insuficiente o prazo para a realização da maior parte dos trabalhos e
pediram mais tempo, antes que as autoridades iniciem a fiscalização dos
incumprimentos e aplicação de contraordenações.O
presidente da FNAPF, Luís Damas, disse à Lusa que voltou a pedir ao
Governo o prolongamento do prazo pelo menos até meados de junho e
“alguma tolerância” para com os atrasos. Num
outro despacho, publicado em 17 de abril, relativo às freguesias
prioritárias para efeitos de fiscalização, foram “identificadas 988
freguesias (34% do número total), cobrindo 2.871.924 ha [hectares] de
área total (32% da superfície de Portugal continental) e englobando
1.988.232 ha de espaços florestais (37% da sua área total)”.“Mantiveram-se
os critérios adotados desde 2022, que incorporam as componentes de
perigosidade conjuntural de incêndio rural e de valor dos ecossistemas”,
explicava-se no despacho dos secretários de Estado da Proteção Civil e
das Florestas.Os proprietários com
terrenos a menos de 50 metros de edifícios de habitação ou atividades
económicas terão de proceder à gestão de combustível numa faixa com
largura de 50 metros em territórios florestais ou de 10 metros em
territórios agrícolas.A GNR, no âmbito da
Campanha Floresta Segura 2025, destinada à prevenção de incêndios
florestais, sinalizou, entre 16 de fevereiro e 30 de abril, “10.417
terrenos que poderão vir a estar em infração por falta de gestão de
combustível”, indicou a divisão de comunicação da força de segurança.A
gestão de combustíveis visa reduzir material vegetal e lenhoso de modo a
dificultar a propagação e intensidade do fogo, à volta das habitações e
aglomerados populacionais em espaço rural, com a maioria das
sinalizações nos distritos de Leiria (2.606), Bragança (1.162), Santarém
(941), Coimbra (818) e Viseu (798).