“Serão proibidas
as emissões de novas licenças de alojamento local, com exceção de
licenças para alojamento rural numa faixa de concelhos do interior do
país onde não há pressão urbanística e onde o alojamento rural pode ser
um contributo importante para a dinamização económica desse território”,
disse.António Costa falava no final do
Conselho de Ministros, hoje dedicado à habitação, no qual foi aprovado o
Programa Mais Habitação.O
primeiro-ministro comunicou ainda que as atuais licenças de alojamento
local “serão sujeitas a reavaliação em 2030” e, depois dessa data,
periodicamente, de cinco em cinco anos.Assim,
as atuais licenças mantêm-se válidas até 2030, o que significa “sete
anos de garantia para quem investiu”, destacou António Costa.“Não
acabamos com o regime de alojamento local, o que dizemos é que, neste
momento, não deve haver novas licenças”, frisou, em resposta aos
jornalistas, reconhecendo “o contributo” do alojamento local para a
economia e o turismo.A proibição de novas
licenças de alojamento local não se aplicará a uma “faixa de concelhos
do interior do país onde não há pressão urbanística e onde os
alojamentos locais podem ser um contributo para dinamizar a economia”,
precisou António Costa.Também na sessão de
respostas aos jornalistas, a ministra da Habitação, Marina Gonçalves,
disse não poder fixar “uma data concreta” para a suspensão de atribuição
de novas licenças, mas adiantou que vai ter efeitos retroativos à data
de aprovação final da medida na Assembleia da República.O
Governo vai colocar as medidas em discussão pública durante um mês.
Algumas das medidas voltarão a Conselho de Ministros para aprovação
final e outras darão entrada na Assembleia da República, explicou
António Costa.Também presente na sessão de
apresentação do Programa Mais Habitação, o ministro das Finanças,
Fernando Medina, assinalou que, no que respeita ao alojamento local,
existe uma “diferença muito significativa entre as várias regiões do
país”, que justifica a taxação variável, consoante a rentabilidade e a
dimensão do alojamento local e o aumento das rendas na área onde se
insere.O Governo pretende assim cativar os
senhorios para transferirem os imóveis que têm em alojamento local para
habitação, assegurando aos que o fizerem até final de 2024 uma isenção
de tributação de IRS até 2030, como “compensação para a diminuição de
receita que vão ter”.“Iremos permitir a
todos proprietários que atualmente tenham fogos em regime de alojamento
local e os transfiram para arrendamento habitacional – conceder isenção
de taxação zero em sede de IRS daqui até 2030”, afirmou António Costa.Simultaneamente,
o Governo pretende criar uma contribuição extraordinária sobre os
imóveis que continuem no alojamento local, cuja receita reverterá em
favor das políticas de habitação.Estas
medidas fazem parte do regime de “forte incentivo para que regressem ao
mercado de habitação frações habitacionais que estão neste momento
dedicadas ao alojamento local”, justificou António Costa.Os
cinco eixos do Programa Mais Habitação hoje apresentado, que ficará em
discussão pública durante um mês, são: aumentar da oferta de imóveis
utilizados para fins de habitação, simplificar os processos de
licenciamento, aumentar o número de casas no mercado de arrendamento,
combater a especulação e proteger as famílias.A
realização de um Conselho de Ministros dedicado à habitação foi
anunciada em janeiro pelo primeiro-ministro, numa entrevista à RTP,
tendo o Governo assumido a habitação acessível como um dos maiores
desafios da atualidade.