Governo procurou reduzir impacto da falta de salários dos funcionários das Lajes mas sem sucesso
6 de nov. de 2025, 11:34
— Lusa
“O
Governo português, desde o primeiro dia, até antes mesmo de se dar o
‘shutdown’, já estava em contacto com a embaixada dos Estados Unidos em
Lisboa para tentar prevenir algum impacto, que infelizmente não foi
possível conter”, afirmou Paulo Rangel na Assembleia da República, em
resposta a uma pergunta da líder parlamentar comunista, Paula Santos,
durante a audição conjunta, sobre o Orçamento do Estado de 2026
(OE2026), das comissões de Orçamento, Finanças e Administração Pública,
dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos Assuntos
Europeus.O objetivo do executivo era o de
procurar mitigar, com subsídios de transportes ou de alimentação, o
impacto da falta de pagamento de salários, consequência da paralisação
parcial da administração norte-americana, que alcançou hoje o recorde de
36 dias consecutivos. Os trabalhadores
portugueses na Base das Lajes, na ilha Terceira, ao serviço da
USFORAZORES, não receberam o vencimento da última quinzena, no dia 27 de
outubro, e a anterior foi paga com um corte de quatro dias, devido à
paralisação parcial da administração norte-americana por não ter sido
aprovado o orçamento federal dos Estados Unidos.Rangel
registou a “grande recetividade” da embaixada norte-americana em
Lisboa, mas notou: “A embaixada e o Estado português não conseguem mudar
a situação política nos Estados Unidos, não conseguimos interferir nas
votações no Congresso”.“Temos sido muito ativos, sempre com os canais diplomáticos abertos”, ressalvou.O
ministro afirmou que o Governo central “aplaude” a decisão do Governo
Regional dos Açores de adiantar os salários em atraso, através do
Instituto da Segurança Social dos Açores (ISSA), que vai recorrer à
banca, até ao limite de 1,2 milhões de euros, com o compromisso de que
os encargos com a operação serão suportados pelo Governo da República.Questionado
sobre críticas do vice-presidente do governo regional, Artur Lima, que
acusou hoje os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Nuno
Melo, de terem abandonado os trabalhadores portugueses da Base das
Lajes, Rangel desvalorizou.“Alguma tensão
ou diferença de opinião entre governos centrais e governos regionais é
uma constante da história e uma glória da autonomia”, considerou o chefe
da diplomacia portuguesa.