Governo preparou diploma para criminalizar uso de pirotecnia nos estádios
24 de out. de 2022, 08:42
— Lusa/AO Online
Esse
diploma inclui um capítulo sobre a responsabilidade criminal e
contraordenacional, bem como uma secção relativa à responsabilidade
criminal e crimes de perigo comum.O novo
quadro propõe uma pena de prisão até cinco anos, ou pena de multa até
600 dias, para quem “transportar, detiver, usar, distribuir ou for
portador de explosivos, artigos ou engenhos” definidos no mesmo diploma,
fazendo-o em “recintos desportivos ou na deslocação de ou para os
mesmos aquando da realização de espetáculo desportivo”.O
diploma dispõe como artigos proibidos engenhos explosivos improvisados
ou “artigos de pirotecnia”, o que inclui qualquer engenho que tenha
substâncias explosivas ou “uma mistura explosiva de substâncias
concebidos para produzir um efeito calorífico, luminoso, sonoro, gasoso
ou fumígeno, ou uma combinação destes efeitos”, o que inclui os
populares ‘very lights’.No sábado, no jogo
entre Sporting e Casa Pia (3-1), da 10.ª jornada da I Liga de futebol,
as claques afetas ao Sporting deflagraram fogo-de-artifício atrás da
baliza de Adán, nos minutos iniciais da partida.O
comportamento desses adeptos levou a uma intensa carga policial naquele
setor, no qual se viram cadeiras a voar e alguns adeptos detidos.A
PSP confirmou que “no decurso do jogo, por volta das 20h46, um
grupo de adeptos do SCP preparou e acionou, na zona do topo sul do
Estádio, o lançamento de inúmeros foguetes, de utilização proibida no
Estádio, colocando em risco a integridade física dos espetadores e
agentes desportivos e exibiram tarjas de grande dimensão, uma delas, com
teor ofensivo para as forças policiais”.“De
modo a preservar a integridade física de todos os espetadores, em risco
com o lançamento os foguetes, foram acionadas para a bancada equipas de
polícias, visando cessar tais comportamentos bem como retirar as tarjas
e intercetar os infratores”, acrescenta a nota daquela força policial. A
PSP prossegue indicando que, quando “a normalidade havia sido reposta,
no momento da saída dos Polícias da bancada, os adeptos do SCP
arremessaram cadeiras na sua direção, tendo havido intervenção para a
reposição da ordem pública, com o uso da força necessária à situação em
concreto”. “Da ação da PSP foram
intercetados quatro adeptos do SCP envolvidos nestes atos, apreendidas
as tarjas e o material utilizado para o lançamento de foguetes”,
acrescenta o comunicado. Antes do jogo,
a PSP tinha desenvolvido uma operação de fiscalização no
estabelecimento da sede da Juventude Leonina, junto ao Estádio José
Alvalade, “que contou com a colaboração da ASAE e da Polícia Municipal
de Lisboa” e no decurso da qual “foram verificadas diversas infrações,
tendo sido levantados pelas várias entidades oito autos de noticia por
contraordenação, com apreensão de material diverso”.O
assunto está na ordem do dia depois de o secretário de Estado da
Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, ter anunciado, na
quinta-feira, esta recriminalização da pirotecnia em recintos
desportivos.A situação tornou-se mais
visível depois da carga policial sobre adeptos ‘leoninos’, que terá
começado por causa da deflagração de objetos pirotécnicos.O Sporting repudiou, em comunicado, a violência ocorrida no
Estádio José Alvalade, cortando relações com a claque Juventude Leonina,
reiterando a sua posição “em prol de um espetáculo desportivo saudável,
vivido em família e de apoio ao seu clube, e manterá a sua
intransigência na luta contra o crime e a violência no desporto”.