Governo pondera ‘voucher’ para turistas que visitem São Jorge
Açores/Sismos
19 de abr. de 2022, 13:49
— Lusa/AO Online
José Manuel Bolieiro,
que intervinha na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, na
cidade da Horta, ilha do Faial, considerou que a crise sismovulcânica na
ilha de São Jorge “acentua consequências de crise económica”, às quais o
Governo dos Açores não é “indiferente, com ação e apoio adequados e em
tempo assertivo”.O líder do executivo
destacou que manteve “reuniões com representantes dos empresários e com
dezenas de empresários”, sendo que “o acompanhar desta situação tem de
ser diário e permanente”. Boleiro
exemplificou que, “neste imediato, o Conselho do Governo aprovou, com
específica adaptação às crises acumuladas – pandemia, guerra e, em São
Jorge, a crise sísmica, a prorrogação do Apoiar.PT Açores, programa de
apoio à liquidez, desta vez aplicado com majorações para São Jorge”.“Na
ilha, será atribuída uma majoração de 10% aos apoios calculados e um
acréscimo de 20% sobre os limites máximos indicados”, frisou o
governante.O líder do executivo açoriano
anunciou que, “conforme o evoluir da situação e em estreita ligação com
os empresários do negócio turístico, e perante a evidência de
cancelamentos de viagens e estadias em São Jorge, o Governo Regional dos
Açores, poderá implementar um sistema de incentivo financeiro, tipo
‘voucher’, aos turistas que se desloquem à ilha de São Jorge, no período
de afetação destes prévios cancelamentos e sua possível recuperação”.Boleiro adiantou que será dada “ainda especial promoção aos produtos Marca Açores, de origem de São Jorge”.No
debate que se seguiu à intervenção do presidente do Governo Regional,
António Lima, deputado e líder do BE/Açores, considerou que a crise
sísmovulcânica “causou profunda disrupção da vida social e económica de
São Jorge”.O parlamentar defendeu, face à
imprevisibilidade destes fenómenos em qualquer ilha, “cada vez mais
preparação e consciência de que pode acontecer”, através dos planos de
emergência, que devem “estar operacionalizados”. Para
a deputada socialista Isabel Teixeira, as “palavras bonitas são
insuficientes”, sendo que “a economia está a definhar-se” depois da
pandemia e da guerra, e agora com a crise sísmica.A deputada defende “ações concretas que têm de ir muito além das medidas anunciadas pelo Governo dos Açores”. Paulo
Estevão, deputado e líder do PPM, destacou a “intervenção de grande
sentido de responsabilidade” de Bolieiro, que reconheceu o papel dos
outros órgãos de soberania nesta crise, “sem uma intervenção
triunfalista”. Paulo Estevão considerou a
medida Apoiar.pt a “correta, porque está no terreno e dá respostas
céleres”, tendo ainda “capacidade de se adaptar”. O
deputado do PAN/Açores Pedro Neves referiu que não tem “nada a apontar
ao Governo dos Açores”, uma vez que “tudo o que poderia ser feito foi
feito”.O Centro de Informação e Vigilância
Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) não identificou, nas últimas 24
horas, sismos sentidos pela população na ilha de São Jorge, foi hoje
anunciado.Segundo o comunicado diário do
CIVISA para ponto da situação da crise sismovulcânica naquela ilha do
arquipélago açoriano, desde as 22h00 de segunda-feira e até às 10h00 de
hoje "não foi sentido nenhum sismo", e o mesmo aconteceu entre as 10h00 e
as 22h00 de segunda-feira.Desde o início
da crise sismovulcânica, que teve início há precisamente um mês (19 de
março), foram identificados cerca de 252 sismos sentidos pela população.A
atividade sísmica tem vindo a registar-se ao longo de uma faixa desde a
Ponta dos Rosais até à zona do Norte Pequeno, na Silveira, e continua
"acima do normal", refere o comunicado.O sismo de maior magnitude (3,8 na escala de Richter) ocorreu no dia 29 de março, às 21h56.Na
segunda-feira, ultrapassaram-se os 29.200 abalos em São Jorge desde o
início da crise sismovulcânica, de acordo com o presidente do CIVISA,
Rui Marques.