Governo pede articulação entre regiões ultraperiféricas e executivos nacionais
23 de nov. de 2018, 14:28
— Lusa/AO Online
Falando
em Las Palmas, nas Canárias, Ana Paula Zacarias defendeu uma "excelente
articulação entre os governos nacionais e as regiões ultraperiféricas",
mas também uma boa articulação entre as regiões "elas mesmas" e
recorrentes encontros de Portugal, Espanha e França "no apoio às suas
regiões ultraperiféricas".A
governante falava na sessão de encerramento da XXIII Conferência dos
Presidentes das Regiões Ultraperiféricas da União Europeia, reunião com a
presença dos chefes dos executivos dos Açores e Madeira, Vasco Cordeiro
e Miguel Albuquerque, respetivamente.Reconhecendo
"vários constrangimentos comuns" nas regiões ultraperiféricas, a
secretária de estado dos Assuntos Europeus defendeu "planos de
desenvolvimento e critérios de acesso aos programas" de apoio
comunitário "adaptados a cada caso para potenciar e maximizar as
vantagens do mercado interno europeu e da globalização".Ana
Paula Zacarias recordou que Portugal tem defendido na negociação para o
quadro de apoio 2021-2027 "a dimensão necessária financeira adequada
para apoiar todas as políticas estratégicas" comunitária "em linha com a
sua ambição global e os desafios que tem de enfrentar".Lembrou
ainda as "provas dadas" e o "impacto direto na vida dos cidadãos" que
têm a Política de Coesão e a Política Agrícola Comum, que correm o risco
de ter menor financiamento no próximo quadro.E
concretizou: "O Governo de Portugal está presente para reiterar o seu
compromisso político com estes valores e com as regiões
ultraperiféricas, para contribuir e aprofundar esta colaboração entre as
instituições europeias, os Estados-membros da União Europeia e as suas
regiões".A
XXIII Conferência dos Presidentes das Regiões Ultraperiféricas da União
Europeia, reunida em Las Palmas, formalizou na declaração final a
rejeição de "qualquer redução das taxas de cofinanciamento europeu" e
exigiu de Bruxelas a reposição da taxa de 85%, ao contrário dos
propostos 70%.O
cofinanciamento europeu é o instrumento que permite, por exemplo, aos
governos regionais e às autarquias locais receberem apoio na
implementação ou construção de projetos ou obras, sendo que, quanto
maior a taxa de cofinanciamento, menor orçamento próprio é necessário
destinar à referida obra.É
também advogada, no texto final, a "necessidade de uma conclusão, tão
rápida quanto possível, das negociações sobre o próximo quadro
financeiro plurianual e os seus diferentes regulamentos e programas,
para evitar hiatos e disrupções prejudiciais ao contínuo crescimento
económico e social" da União Europeia e das regiões.Os
presidentes dos governos dos Açores e Madeira, Vasco Cordeiro e Miguel
Albuquerque, respetivamente, mostraram preocupações com eventuais cortes
no quadro para 2021-207 no que diz respeito ao Fundo de Coesão e à
Política Agrícola Comum.A
CPRUP é uma estrutura de cooperação política que junta os presidentes
dos órgãos executivos das regiões ultraperiféricas dos Açores, Madeira,
Canárias, Guadalupe, Guiana, Martinica, Reunião, Maiote e Saint-Martin,
territórios que, no seu conjunto, abrangem quase cinco milhões de
cidadãos europeus.