Governo paga 200 milhões de dívidas em atraso a fornecedores na saúde
23 de out. de 2025, 09:37
— Rui Jorge Cabral
O Governo Regional pagou este ano a dívida aos fornecedores da saúde,
num valor superior a 250 milhões de euros, dos quais 200 milhões
referiam-se a pagamentos em atraso.A revelação foi feita pelo
secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública,
Duarte Freitas, ontem no final de uma reunião com fornecedores na sede
da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD). Ficou assim ‘paga’ uma promessa que tinha sido feita em maio aos fornecedores da área da saúde. Em
declarações aos jornalistas, o secretário regional das Finanças,
Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, explicou que “ao
longo deste ano e até agora já foram pagos aos fornecedores da saúde
mais de 250 milhões de euros, dos quais, cerca de 200 eram pagamentos em
atraso, nalgumas matérias com atrasos que recuavam até 2012”.Era o
caso, por exemplo, da dívida à Eletricidade dos Açores (EDA). Mas
sobretudo e conforme explicou em declarações aos jornalistas no final da
reunião a secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica
Seidi, a maior dívida concentrava-se “nos consumíveis, material clínico e
também nos medicamentos”. Por seu lado, Duarte Freitas explicou que
“temos hoje os pagamentos aos fornecedores locais da área da saúde em
dia, em pagamentos que são feitos entre 60 a 90 dias”, sendo este agora o
objetivo do Governo Regional daqui para a frente, ou seja, o de manter
os pagamentos em dia, o que “irá exigir da parte das finanças e dos
serviços de saúde um esforço para que não atinjamos circunstâncias como
as que aconteceram no passado”. Sobre esta questão , o secretário
regional com a pasta das Finanças lembrou que “estes pagamentos já
podiam ter sido feitos em 2024 e 2023, se tivessem havido os despachos
consequentes para os 75 milhões de euros que desde 2022 estavam
previstos no Orçamento do Estado, porque os despachos só vieram em 2024,
com 75 milhões e em 2025, com 150 milhões”. Estes despachos da
República deram ao Governo Regional autorização para transformar dívida
comercial em dívida financeira, ou seja, o Governo pôde ir à banca para
pagar aos fornecedores, ficando agora o governo como devedor, já não
dos fornecedores, mas da banca. Mas conforme recordou Duarte Freitas,
“esta situação está acomodada nas contas públicas e a questão é que esta
era já dívida da Região, só que era dívida comercial que estava a
‘pesar’ sobre os empresários da saúde e agora a possibilidade da
transformação dessa dívida comercial em dívida financeira vem aliviar
esta circunstância . E o impacto que esta situação possa ter na dívida
será sempre dentro dos 60% do peso da dívida em relação ao Produto
Interno Bruto (PIB) da Região, sem o ultrapassar, ao mesmo que se
garante que não faltam meios à economia privada”.Por fim e
relativamente à restante dívida a fornecedores, fora da saúde, Duarte
Freitas garantiu que “a dívida mais preocupante era a da saúde, porque
no âmbito da Administração Regional direta, o prazo médio de pagamentos
é inferior a 60 dias”.