Governo mantém matriz de risco, mas diferencia com base na densidade populacional
Covid-19
2 de jun. de 2021, 17:21
— Lusa/AO Online
O
anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, António Costa, durante a
habitual conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de
Ministros."Mantendo a matriz, ela será
aplicada distintamente nos territórios de baixa densidade e nos
territórios de alta densidade", afirmou o primeiro-ministro, explicando
que nos primeiros só serão aplicadas restrições se excederem o dobro dos
limiares fixados para a generalidade do território nacional.A
atual matriz de risco é composta por dois critérios, o índice de
transmissibilidade (Rt) do vírus e a taxa de incidência de novos casos
de covid-19 por cem mil habitantes a 14 dias, indicadores que têm
servido de base à avaliação do Governo sobre o processo de alívio das
restrições iniciado a 15 de março.Agora,
com as novas alterações, nos concelhos de baixa densidade populacional,
que representam mais de metade do território continental, a linha
vermelha que obriga os municípios a recuar no plano de desconfinamento
passa a ser fixada pelos 480 casos por cem mil habitantes nos últimos 14
dias e estes territórios ficam sob alerta quando ultrapassarem os 240
casos por cem mil habitantes no mesmo período. “O
critério de aplicação de taxa de incidência é fortemente penalizador
dos territórios de baixa densidade”, justificou António Costa,
acrescentando que, por outro lado, sendo a pandemia de covid-19 efeito
do contacto humano, “o risco nos territórios de baixa densidade é, por
natureza, menor do que nos territórios de alta densidade, em particular
as grandes cidades e as áreas metropolitanas”.Questionado
sobre a situação concreta da região do Algarve, que recebe durante os
meses de verão milhares de turistas nacionais e estrangeiros, o
primeiro-ministro esclareceu que os resultados positivos dos
diagnósticos à covid-19 são registados na morada de residência dos
utentes e não na zona onde decorreu o contágio e, por isso, a região não
será penalizada por eventuais casos positivos entre os turistas
portugueses.“Não será esse fator que
alterará significativamente a taxa de incidência no Algarve”, sublinhou,
acrescentando que o mesmo não se aplica, no entanto, aos turistas
estrangeiros.Na mesma conferência de
imprensa, o primeiro-ministro anunciou também o plano de desconfinamento
para os próximos meses, até ao final de agosto, e à semelhança do que
tem acontecido até agora, serão aplicadas restrições aos concelhos de
maior risco, sendo que a situação epidemiológica continuará a ser
avaliada semanalmente.Concretamente, nos
concelhos que em duas avaliações consecutivas registem uma taxa de
incidência de casos de infeção com SARS-Cov-2 por cem mil habitantes nos
últimos 14 dias superior a 120, ou 240 nos concelhos de baixa
densidade, o teletrabalho voltará a ser obrigatório, a restauração terá
de encerrar às 22h30, à semelhança dos espetáculos culturais, e o
comércio e retalho até às 21h00.Nos
concelhos que ultrapassem em duas vezes sucessivas a linha vermelha dos
240 casos cem mil habitantes nos últimos 14 dias superior, ou 480 se
tiverem baixa densidade populacional, o horário de encerramento na
restauração recua para as 15h30 ao fim de semana e a restrição da
lotação em eventos como casamentos e batizados passa dos 50% para 25%.