Governo lança programa de alojamento estudantil acessível
17 de mai. de 2018, 09:14
— Lusa/AO online
Esta
possibilidade consta do Plano Nacional de Alojamento para o Ensino
Superior (PNAES), que é hoje apresentado pelo Governo, em Coimbra, pela
secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda
Rollo, pela secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, e pelo
secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo.Integrado
no Programa de Arrendamento Acessível, ainda em apreciação pelo
parlamento, o PNAES pretende disponibilizar fundos às instituições de
ensino superior públicas e autarquias que tenham edifícios que possam
ser disponibilizados e convertidos ao uso de residência de estudantes.Um
dos instrumentos disponíveis é o Fundiestamo, uma empresa do grupo
Parpública que gere fundos de investimento imobiliário e através do qual
as instituições podem disponibilizar os imóveis para reabilitação
afetando-os ao uso de residência universitária, havendo já, segundo
disse Fernanda Rollo à Lusa, várias autarquias e instituições de ensino
superior públicas que manifestaram interesse nesta possibilidade.“Podem
aproveitar este momento para reabilitar. Isto é muito interessante se
olharmos para contextos municipais em matérias de estímulo de densidade
demográfica e rejuvenescimento”, disse a secretária de Estado do ensino
superior, acrescentando que não há tetos nem montantes máximos
estabelecidos, sendo cada caso avaliado isoladamente, sem
pré-determinações.Fernanda
Rollo lembrou ainda as alterações fiscais previstas, como a
possibilidade de dedução em IRS das rendas pagas por estudantes
deslocados até aos 25 anos com alojamento e as isenções na tributação de
IMI para os proprietários que coloquem casas no arrendamento a
estudantes com valores acessíveis, englobando-as no conjunto de medidas
que pretendem “ajudar a aumentar a oferta” de camas disponíveis, que, em
termos de residências de universidades e politécnicos, se reduz em
termos médios no país a uma disponibilidade de 12% face às necessidades
identificadas.Este
indicador resulta de um levantamento prévio feito pelo Governo junto de
instituições e estudantes, que permitiu caracterizar a realidade
nacional em termos de oferta de residências, total de deslocados face ao
número global de alunos do ensino superior – 42% dos alunos do ensino
superior português estão deslocados - e custo médio do arrendamento de
quartos por região.O
resultado foi “a necessidade” de “olhar para este problema” de falta de
alojamento, “que tem conhecido uma densificação nos últimos tempos,
muito provocada pela pressão turística” e com “reflexo quer nos preços
quer na disponibilidade de espaços para alugar pelos estudantes, muito
em particular em Lisboa e Porto”, admitiu Fernanda Rollo.“Impressionante”
foi como a governante classificou a escalada de preços no arrendamento
em Lisboa e Porto que pode levar um estudante em Lisboa a pagar cerca de
seis euros por metro quadrado arrendado e um estudante no Porto a pagar
cerca de 4,5 euros por cada metro quadrado, valores significativamente
superiores à maioria das regiões do país, de acordo com os dados do
Instituto Nacional de Estatística disponibilizados pela tutela a
propósito do levantamento de informação efetuado.As
áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com mais de 30% de alunos
deslocados, são as que apresentam alguns dos custos mais elevados no
arrendamento e onde a oferta de camas em residências públicas e a custos
controlados é mais reduzida, inferior a 10% das necessidades para o
total de estudantes não residentes. No
Algarve o preço médio cobrado por metro quadrado chega aos cinco euros,
mas nesta região a oferta pública de residências cobre mais de 30% das
necessidades dos alunos deslocados.As
medidas agora apresentadas não são “uma solução mágica” para o
problema, reconheceu Fernanda Rollo, nem garantem efeitos imediatos, uma
vez que construir ou reabilitar são processos que demoram tempo, e
mesmo das alterações fiscais a governante admite que espera “impactos
muito reduzidos”, mas defende que seria difícil ser de outra forma.“Temos que tentar encontrar todas as soluções ao nosso alcance para mitigar esta necessidade premente”, disse.