Governo investe 36,7 milhões na linha SNS24 nos próximos três anos
Covid-19
7 de ago. de 2020, 12:31
— Lusa/AO Online
O contrato a
lançar este ano, que vigorará pelos próximos três anos, representa “um
reforço de 10 milhões de euros face ao valor do anterior”, declarou
Jamila Madeira aos jornalistas após uma visita ao centro de contacto do
SNS24, em Lisboa.O investimento vai ser
aplicado também em novos serviços, na adoção de ferramentas de
inteligência artificial e em canais mais modernos – não apenas
telefónicos – de atendimento aos utentes, e para tornar definitivos
serviços como o atendimento em saúde mental, criado durante o período do
confinamento imposto pela covid-19.O
responsável pela linha SNS24, Luís Goes Pinheiro, afirmou aos
jornalistas que com a pandemia deste ano, a procura da linha cresceu 75
por cento. Se não fosse a pandemia, estima que essa procura teria
crescido 40%.“O que queremos que aconteça
neste novo contrato é que esse crescimento continue e que o SNS24 se
consagre definitivamente como a primeira porta de entrada no Serviço
Nacional de Saúde”, declarou.Salientou que
o que o serviço precisa é de flexibilidade e “este contrato procurará
garantir essa flexibilidade” para responder a picos de procura, que
“acontecem de forma inesperada”, como demonstrou a pandemia da covid-19.“Se
for preciso abrir um novo centro de contacto, que seja aberto. Se for
preciso alargar os recursos existentes, que isso aconteça. Se for
preciso ter operadores que estejam em plantão de emergência, que
estejam”, indicou.Jamila Madeira precisou
que numa semana, durante a pandemia, a capacidade de atendimento de
chamadas em simultâneo aumentou de 200 para 2000.“Foi
o maior esforço tecnológico que alguma plataforma passou no nosso país.
Em uma semana, em plena atividade, sem paragens, mantendo um nível de
resposta adequado aos utentes. O que se estabiliza é esse esforço
tecnológico e a sua manutenção”, referiu a governante, salientando que a
capacidade ganha não foi “um pico” mas que será para manter.Através
do SNS24, os utentes são atendidos ou encaminhados para o serviço de
que precisam, podem marcar teleconsultas ou ter acesso à linha de
atendimento psicológico.Essa linha será um
dos serviços a manter, assegurou, acrescentando que outras formas de
contacto entre os profissionais de saúde e os cidadãos poderão surgir,
dentro das limitações que os serviços à distância têm.Luís
Goes Pinheiro afirmou que com o novo contrato, o Serviço Nacional de
Saúde terá “uma porta – o SNS24 – cada vez mais ampla”.“Não
é apenas o canal telefónico que nos preocupa, mas a simbiose entre os
canais digital e telefónico”, referiu, salientando que o principal é
que, qualquer que seja a forma de contacto, “a experiência de serviço
seja sempre a mesma”, mesmo em linhas que começaram mais recentemente
como a linha de atendimento a surdos.Jamila
Madeira afirmou que “não há paralelo” com a linha SNS24 na união
europeia, onde outros países que tiveram “mecanismos deste género para
apoiar [o combate] à pandemia usaram múltiplos canais para múltiplas
respostas” que em Portugal se conseguiram com apenas um canal.“Mais
ainda, tendo esse canal sofrido uma adaptação em processo de
emergência. É durante a pandemia que este escalar de capacidade de
resposta acontece e é nesse contexto que agora a queremos manter com
toda a sua robustez”, disse.Goes Pinheiro
referiu que nos últimos três anos, a linha SNS24 atendeu “mais de cinco
milhões de chamadas e dessas, quase um milhão e meio foram atendidas
durante o ano de 2020, o que demonstra bem o salto qualitativo dado
durante este ano”.