Governo inicia processo de reprivatização de 49,9% da companhia
TAP
10 de jul. de 2025, 12:09
— Lusa/AO Online
Luís Montenegro fez uma
declaração aos jornalistas na residência oficial em São Bento, a meio da
reunião do Conselho de Ministros, sem direito a perguntas.“Aprovámos
um decreto-lei no qual cumprimos um ponto constante no nosso programa
eleitoral e de Governo que é a reprivatização de 49,9% do capital social
da TAP”, frisou Montenegro, dizendo-se tratar-se do “pontapé de saída”
desta primeira fase de reprivatização. O
primeiro-ministro remeteu mais detalhes sobre este decreto-lei, que terá
“oportunamente desenvolvimento com a apresentação do caderno de
encargos”, para uma conferência de imprensa dos ministros das Finanças e
das Infraestruturas, esta tarde, mas deixou claro qual o objetivo
político.Montenegro defendeu que esta
reprivatização pretende salvaguardar as rotas “mais estratégicas” para
Portugal e “o interesse estratégico do país”, mas também “dar
sustentabilidade à operação” da companhia aérea nacional.“Já
gastámos muito dinheiro que não se repercutiu depois na vida das
portuguesas e dos portugueses. Nós não queremos continuar a deitar
dinheiro para um poço que não tem fundo, queremos que a companhia seja
rentável, seja bem gerida, seja enquadrada num contexto de ser
competitiva, ser financeiramente sustentável e de estar ao serviço do
interesse estratégico do país”, disse.Montenegro
detalhou que a decisão “incorpora a abertura ao capital de um
investidor ou mais até 44,9% do capital da empresa e de 5% aos
trabalhadores”. “Este é um objetivo que
queremos que possa assegurar que a nossa companhia aérea salvaguarda o
‘hub’ em Lisboa, salvaguarda o aproveitamento de todas as
infraestruturas aeroportuárias do país, em particular do aeroporto hoje
Humberto Delgado e amanhã Luís de Camões (em Lisboa), mas também do
Porto e de Faro e os aeroportos das regiões autónomas”, afirmou.“Nós
temos de aproveitar os investimentos que estamos a fazer em todos os
aeroportos, em toda a nossa rede viária, em toda a nossa rede
ferroviária para que as pessoas se possam movimentar, mas também para
que as nossas empresas possam ser mais competitivas, para que o nosso
turismo possa ter ainda melhores resultados”, afirmou.Neste
processo, o Executivo pretende alienar até 49,9% do capital da
companhia aérea através do modelo de venda direto, reservando até 5%
para os trabalhadores, como prevê a lei das privatizações.Este
é o primeiro passo para arrancar com a venda da TAP, que vai voltar a
ter acionistas privados depois de em 2020 o Governo ter avançado para a
nacionalização no âmbito do impacto da pandemia no transporte aéreo.O
decreto-lei também terá que passar pelo Presidente da República que, em
outubro de 2023, vetou o documento elaborado pelo Governo de António
Costa para arrancar com a privatização da TAP. Na altura, Marcelo Rebelo
de Sousa decidiu devolver o diploma, aprovado em Conselho de Ministros a
28 de setembro desse ano, por considerar que “suscitava múltiplas
dúvidas e reticências à luz da desejada máxima transparência do
processo”.A reprivatização da
transportadora aérea tem estado em cima da mesa desde 2023, mas foi
interrompida com a queda dos dois últimos governos PS e PSD.Originalmente
estatal, a TAP foi parcialmente privatizada em 2015, mas o processo foi
revertido em 2016 pelo Governo de António Costa, que retomou 50% da
empresa.No ano passado, o executivo de
Luís Montenegro retomou o tema e manifestou intenção de avançar com a
alienação de uma participação minoritária em 2025. Desde então, têm
decorrido negociações com grandes grupos europeus como a Air France-KLM,
Lufthansa e IAG.