Governo garante que não há decisão sobre a privatização do serviço de hemodiálise
13 de nov. de 2025, 11:33
— Arthur Melo
A Direção Regional da Saúde assegurou ontem que não existe nenhuma
decisão tomada sobre a eventual concessão a privados do serviço de
hemodiálise do Hospital Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada,
uma vez que ainda está a ser avaliado o plano funcional do novo
hospital. O esclarecimento, publicado no Portal do Governo regional
dos Açores, surge na sequência das declarações do deputado do Bloco de
Esquerda nos Açores, António Lima, que denunciou que a
externalização do serviço de hemodiálise poderia ser adjudica à empresa
do irmão da presidente do conselho de administração do HDES, Paula
Macedo. “Está a ser analisado o programa funcional do novo HDES,
pelo que o futuro funcionamento daquele serviço será, naturalmente,
ponderado pela Comissão de Análise. Assinale-se que, até à data, não há
nenhuma decisão tomada a este respeito e que a mesma será da
responsabilidade do Governo Regional dos Açores”, esclarece a DRS. O
BE adiantou, na última segunda-feira, que tomou conhecimento do anúncio
da externalização do serviço de hemodiálise do HDES na sequência de uma
reunião com a delegação dos Açores da Associação Portuguesa de
Insuficientes Renais. Ao mesmo tempo, os bloquistas revelaram também
que tiveram conhecimento que a empresa “Medifarma - José Horácio Rego
Sousa, Lda”, apresentou uma candidatura ao programa municipal “Lagoa
Investe”, destinado a apoiar iniciativas económicas de interesse
municipal, que foi aprovada na reunião do executivo do município da
Lagoa, no dia 23 de dezembro de 2024.A este propósito, a DRS
esclarece que “não foi submetido qualquer pedido para o licenciamento de
unidades privadas de saúde na área da Hemodiálise/Diálise” no
arquipélago, vincando que a “a empresa referida apenas possui
licenciamentos para a distribuição por grosso de medicamentos,
medicamentos veterinários e dispositivos médicos”. A nota de
esclarecimento recorda ainda que “compete à DRS, e não aos municípios, o
licenciamento de qualquer pedido de atividade no âmbito de cuidados em
saúde, do foro público ou privado”, processos que são avaliados por
técnicos daquela direção regional. O esclarecimento da DRS termina a
reiterar que as decisões que vão ser tomadas sobre o serviço de
hemodiálise do HDES vão ter “como único desígnio o bem-estar dos utentes
do Serviço Regional de Saúde e não preconceitos ideológicos”.