Governo garante otimização do modelo do abastecimento ao Corvo
Hoje 10:06
— Lusa/AO Online
“A
alteração introduzida no novo procedimento concursal decorre da
necessidade de otimizar o modelo operacional associado ao abastecimento
marítimo da ilha do Corvo, garantindo maior previsibilidade,
regularidade e eficiência logística do serviço prestado à população”,
defende o governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), em resposta a um
requerimento do PS, consultado pela agência Lusa.A 18 de maio, o PS/Açores questionou o Governo Regional sobre as mudanças
no transporte de mercadorias no grupo Ocidental e alertou para os
impactos na economia da ilha do Faial da retirada daquela operação do
porto da Horta.Segundo os socialistas,
alterar o porto base daquela operação da Horta (ilha do Faial) para a
Praia da Vitória (ilha Terceira) pode acarretar consequências ao nível
da “coesão territorial” e da “logística regional”.Na
resposta, o executivo regional adianta que foi realizada uma “análise
técnica e operacional ao funcionamento do atual modelo de abastecimento à
ilha do Corvo”, que concluiu que a utilização do porto da Praia da
Vitória “apresenta vantagens relevantes ao nível dos tempos de trânsito,
qualidade dos bens abastecidos, regularidade operacional e mitigação de
custos indiretos associados à operação portuária”.O
Governo dos Açores salienta que a decisão de alterar o porto base
resultou de uma “avaliação técnica, logística e operacional”, que
considerou o “histórico de escala dos navios”, os "dias e horários
efetivos da chegada de mercadorias provenientes do continente”, os
“tarifários portuários” e os “custos associados a operações fora do
horário normal de trabalho”.“Apenas no ano
2025, cerca de 38% do total das escalas realizadas (15 de 39) ocorreram
fora do horário normal de funcionamento no porto da Horta, mas dentro
do período que seria considerado horário normal praticado no porto da
Praia da Vitória”, fundamenta.De acordo
com o executivo açoriano, foram tidos em conta, também, os “tempos de
navegação entre ilhas” e as “velocidades médias da operação”.“O
porto da Horta é escalado pelos navios de cabotagem, maioritariamente
apenas a partir de quinta-feira, o que implica que uma parte
significativa da mercadoria proveniente do continente só possa seguir
para o Corvo já na fase final da semana”, justifica.Já
o porto da Praia da Vitória, prossegue o Governo dos Açores, é
“escalado no início da semana pelos navios de cabotagem provenientes
diretamente do continente”, o que permite “reduzir significativamente os
tempos de trânsito, assegurar uma distribuição de bens perecíveis com
maior qualidade e aumentar a previsibilidade do abastecimento”.O
Governo Regional reitera que a alteração do modelo pretende “assegurar
uma melhoria efetiva do serviço prestado à ilha do Corvo”, com “impactos
positivos na economia local” e na “qualidade de vida da população”.“A
alteração em causa respeita especificamente ao modelo operacional do
serviço de abastecimento à ilha do Corvo, não colocando em causa, nem
diminuindo, a relevância estratégica do porto da Horta no sistema
portuário regional”.No requerimento, o
maior partido da oposição nos Açores questiona sobre os estudos
realizados, a “estimativa concreta de redução de custos” com o novo
modelo e como "será garantido que a alteração não resultará em atrasos”
no abastecimento.O Conselho do Governo
Regional autorizou em maio abertura de um concurso público
internacional, de 5,2 milhões de euros, para fretamento de um navio de
transporte de mercadorias entre as ilhas Terceira, Corvo e Flores.