Governo francês faz nova concessão à direita sobre reforma do sistema de pensões
15 de fev. de 2023, 10:57
— Lusa/AO Online
Borne indicou,
durante o debate sobre esta reforma na Assembleia Nacional, que o seu
Governo vai formalizar uma emenda que permitirá alargar a reforma
antecipada a quem começou a trabalhar aos 17 anos e tenha atingido o
período de contribuição completo, que será de 43 anos.Estas
pessoas vão poder reformar-se antecipadamente aos 60 anos, no âmbito do
dispositivo denominado "carreiras longas", que tenta impedir que quem
iniciou a sua vida laboral em idade precoce tenha de contribuir, na
prática, mais do que os outros.Uma das
principais reivindicações dos deputados do partido Os Republicanos para
assegurarem o seu apoio ao projeto de lei do Governo, que tem contra
todos os sindicatos, todos os partidos de esquerda e a extrema-direita
de Marine Le Pen, é ampliar este dispositivo de "carreiras longas” em
nome da igualdade e da justiça.O eixo
principal da reforma é aumentar a idade mínima de reforma dos atuais 62
anos para 64 anos e, ao mesmo tempo, prolongar o período contributivo
necessário para obter uma pensão completa, dos atuais 42 anos para 43 em
2027.Pouco antes do texto do Governo do
Presidente Emmanuel Macron começar a ser debatido no hemiciclo da
Assembleia Nacional, em 06 de fevereiro, já a primeira-ministra francesa
tinha feito uma primeira concessão ao partido Os Republicanos.Na
altura, acedeu a que aqueles que começaram a trabalhar com pelo menos
20 anos e completem 43 anos de contribuições possam reformar-se mais
cedo, aos 63 anos.Esta medida beneficiaria cerca de 30.000 pessoas, com um custo de cerca de 600 milhões de euros para o regime de pensões.A
extensão do dispositivo hoje apresentado representaria um acréscimo de
300 a 400 milhões de euros no horizonte de 2030, segundo o órgão de
comunicação Les Echos.A reforma enfrenta
esta quinta-feira o quinto dia de mobilizações dos sindicatos, que
pretendem levar centenas de milhares de pessoas de volta às ruas e
ameaçam paralisar o país em 07 de março, caso Macron não recue.