Governo francês descarta revogar reforma das pensões e sindicatos prometem mais luta
18 de mai. de 2023, 09:47
— Lusa/AO Online
Depois de ter recebido durante dois
dias os principais dirigentes sindicais do país, a primeira-ministra
francesa, Elisabeth Borne, garantiu que não dará qualquer apoio à
proposta parlamentar apresentada por um pequeno grupo independente para
revogar a polémica reforma.Borne
considerou "irresponsável" e referiu que “não leva a lado nenhum” a
medida que os sindicatos exigem como condição para retomar o diálogo.Para
a líder do Governo francês, a revogação da reforma seria
"inconstitucional" porque implicaria despesas extraordinárias de 18 mil
milhões de euros, algo que um projeto de lei não pode provocar.A
primeira-ministra considerou que a proposta deste grupo independente
não deve ser debatida para não enganar os trabalhadores com uma medida
que não tem hipóteses de ser aprovada.A
apreciação desta proposta está agendada para 08 de junho, mas o partido
do Presidente francês Emmanuel Macron começou a trabalhar para evitar o
seu debate.Esta crítica do Governo
distancia-o ainda mais de alguns sindicatos que consideravam a
apreciação parlamentar do projeto um sinal de aproximação.O
líder do moderado CFDT [Confederação Francesa Democrática do Trabalho],
Laurent Berger, considerou “inaceitável” que este texto não seja
debatido, o que pode revelar mais uma vez a fragilidade parlamentar do
Governo.Os sindicatos convocaram um novo
dia de greves e protestos contra a reforma das pensões para 06 de junho,
dois dias antes da data prevista para a apreciação do projeto.A
líder da combativa Confederação-Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, o
segundo sindicato do país, considerou que seria "muito grave se os
deputados fossem mais uma vez privados de votar a reforma".Binet
fazia referência ao recurso legislativo utilizado pelo Executivo para
aprovar a reforma em março passado, que lhe valeu duas moções de
censura, uma das quais defendeu por apenas nove votos.A
oposição à reforma das pensões agudizou o cenário político em França,
onde Macron não pode sair do Palácio do Eliseu sem ser recebido por
protestos.Em várias entrevistas, o chefe
de Estado francês tentou relançar a agenda política para dar o fim
àquela crise, mas os sindicatos parecem determinados em manter o tema na
ordem do dia.