Governo francês apresenta orçamento e prepara confronto com oposição
26 de set. de 2022, 08:13
— Lusa/AO Online
O custo
da energia é uma das apostas do Governo francês para tentar travar os
custos das famílias, com a proposta que vai ser apresentada hoje a
incluir um teto máximo do aumento do gás e da eletricidade a 15%, uma
medida que vai custar ao Estado entre 20 a 25 euros por família,
acrescentando às despesas do próximo ano cerca de 16 mil milhões de
euros.O Governo de Elisabeth Borne vai
ainda dar a cerca de 12 milhões de famílias um cheque de energia no
valor de 100 a 200 euros até ao final de 2022, de forma a proteger os
franceses dos aumentos derivados da guerra na Ucrânia. O executivo
gaulês estuda ainda a possibilidade de um cheque transporte para quem
usa regularmente o comboio.De forma a
corresponder ao topo das preocupações dos franceses, ou seja, o poder de
compra, o Governo prevê a revalorização do valor das bolsas dos
estudantes universitários, assim como mais apoios para a transição
ecológica dos edifícios de habitação, de forma a utilizarem mais
energias renováveis.No lado dos impostos, não haverá aumentos para os particulares, com uma atualização dos escalões em função da taxa de inflação.Mesmo
com uma despesa adicional em 2023 de cerca de 21,7 mil milhões de
euros, o Governo quer reduzir a dívida pública em 0,2%, algo que parece
difícil com as perspetivas de crescimento a estarem agora em 1% e a
inflação a poder atingir 4,5% no próximo ano.Este
será o primeiro ano desde que Emmanuel Macron subiu ao poder em 2017
que este projeto de orçamento não tem maioria, já que o partido do
Presidente ficou apenas com uma maioria relativa nas eleições
legislativas de junho. Assim, ainda não parece haver uma maioria para
aprovar este documento, essencial à gestão do país.A
esquerda pede que os lucros excessivos sejam taxados, uma matéria à
qual a primeira-ministra já pareceu estar aberta, mas não haverá um
acordo, pelo menos por enquanto, para a adoção desta medida.Os
partidos da oposição podem também tentar utilizar o Orçamento do Estado
como moeda de troca, já que o Governo vai apresentar também uma reforma
da Segurança Social que vai incluir a reforma do sistema de pensões,
uma das medidas mais controversas de Emmanuel Macron.Caso
não seja encontrado um acordo para a aprovação do orçamento na
Assembleia Nacional, o Governo pode recorrer ao artigo 49.3 da
Constituição, que decreta que é possível ao executivo passar a lei do
orçamento sem ser votada.